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117.1.2 -
ZOROASTRISMO:
Cosmogonia:
Na doutrina
zaratustriana, antes de o mundo existir, reinavam dois espíritos ou
princípios antagônicos: os espíritos do Bem (Ahura Mazda, Spenta Mainyu,
ou Ormuz) e do Mal (Angra Mainyu ou Arimã). Divindades menores, gênios e
espíritos ajudavam Ormuz a governar o mundo e a combater Arimã e a
legião do mal. Entre as divindades auxiliares, como consta no Avesta a
mais importante era Mithra, um deus benéfico que exercia funções de juiz
das almas. No final do século III d.C, a religião de Mithra fundiu-se
com cultos solares de procedência oriental, configurando-se no culto do
Sol.
Arimã é
representado como uma serpente. Criador de tudo que há de ruim (crime,
mentira, dor, secas, trevas, doenças, pecados, entre outros), ele é o
espírito hostil, destruidor, que vive no deserto entre sombras eternas.
Ormuzd, no entanto, é o Criador original, organizador do mundo de modo
perfeito.
Ahura Mazda é
representado também como o divino Lavrador, o que mostra o enraizamento
do culto na civilização agrícola, na qual o cultivo da terra era um
dever sagrado. No plano cosmológico, contudo, ele é o criador do
universo e da raça humana, com poderes para sustentar e prover todos os
seres, na luz e na glória supremas.
Bem e Mal não são
apenas valores morais reguladores da vida cotidiana dos humanos, mas são
transfigurados em princípios cósmicos, em perpétua discórdia. A luta
entre Bem e Mal origina todas as alternativas da vida do universo e da
humanidade. A vitória definitiva de Ormuzde sobre Arimã só poderia
ocorrer se Zaratustra conseguisse formar uma legião de seguidores e
servidores, forte o bastante para vencer o Espírito Hostil, e expurgar o
Mal do universo. Nesse sentido, Bem e Mal são princípios criadores e
estruturadores do universo, que podem ser observados na natureza e
encontram-se presentes na alma humana. A vida humana é uma luta
incessante para atingir a bondade e a pureza, para vencer Angra Mainyu e
toda a sua legião de demônios cuja vontade é destruir o mundo criado por
Ahura Mazda.
A doutrina de
Zaratustra é escatológica. De acordo com os seus preceitos, o mundo
duraria doze mil anos. No fim de nove mil anos, ocorreria a segunda
vinda de Zaratustra como um sinal e uma promessa de redenção final dos
bons. Isso seria seguido do nascimento miraculoso do Saoshyant,
equivalente ao Messias hebreu, cuja missão seria aperfeiçoar os bons
para o fim do mundo, da história humana, enfim, para a vitória do Bem
sobre as forças do Mal. A cada mil anos viria um profeta/messias (Saoshyant).
Assim, nos últimos
três milênios, três Saoshyant preparariam a completude do grande ano
cósmico. É neste sentido que Nietzsche menciona Zaratustra como aquele
que compreendeu a História em toda a sua completude. Cada série de
desenvolvimento da História seria presidida por um profeta, que teria
seu hazar, seu reino de mil anos. O Zaratustra histórico, no entanto,
anuncia a chegada do tempo em que surgirá da raça persa o Shah Bahram, o
Senhor Prometido, o Salvador do Mundo, o Grande Mensageiro da Paz.
No final dos
tempos haveria o julgamento derradeiro de todas as almas e a
ressurreição dos mortos. Não fica claro se o inferno tem duração eterna,
se os maus se agitarão eternamente "nas trevas". Nos Gathas, cantos de
Zaratustra, consta também que o mal poderia ser banido para sempre do
universo, com o nascimento de um novo mundo, física e espiritualmente
perfeito, aqui na Terra. Não seria possível, assim, a coexistência de um
mundo físico degradado e um mundo hiperfísico perfeito.
Os gregos
enfatizaram, no profeta persa, mais a astrologia e a cosmologia do que o
dualismo moral. Para eles, Zoroastro é um ser mítico, um astrólogo,
legendário fundador da seita dos magos. Os aspectos cosmológicos,
soteriológicos (relativos à parte da Teologia que trata da salvação do
homem), teológicos e morais do Masdeísmo estavam contidos nos Pahlavi
(principalmente no Denkard), livros baseados no Avesta. Mas esses textos
estão perdidos.
117.1.3 -
Moral:
O dualismo cósmico
e teogônico do Masdeísmo está intimamente relacionado ao dualismo moral.
Zaratustra, com a sua mensagem divina, provocou uma verdadeira
transformação no modo de pensar da sua civilização, contrariando o
tradicional pensamento dos sábios de sua época. Sua mensagem baseava-se
nos Gathas, cantos entoados com o objetivo de serem um guia para a
humanidade – continham o triplo princípio de boa mente, boas palavras e
boas ações. O Bem e o Mal, para Zaratustra, manifestam-se também na alma
humana, e a única forma de poder organizar o mundo e a sociedade é
estando o Bem acima do Mal. Este não traz contribuição alguma para a
construção de uma vida boa, já que impossibilita uma relação equilibrada
entre ser humano, sociedade e natureza.
Zaratustra propõe
que o homem encontre o seu lugar no planeta de forma harmoniosa,
buscando o equilíbrio com o meio (natural e social), respeitando e
protegendo terra, água, ar, fogo e a comunidade. O cultivo de mente,
palavras e ações boas é de livre escolha: o indivíduo deve decidir
perante as circunstâncias que se apresentam em determinado fato. A boa
deliberação, ou seja, uma boa reflexão a respeito de cada ação faz
surgir uma responsabilidade social para colaborar com o projeto que Deus
propôs ao mundo. Os seres humanos, portanto, possuem livre-arbítrio e
são livres para pecar ou para praticar boas ações. Mas serão
recompensados ou punidos na vida futura conforme a sua conduta.
Os principais
mandamentos são: falar a verdade, cumprir com o prometido e não contrair
dívidas. O homem deve tratar o outro da mesma forma que deseja ser
tratado. Por isso, a regra de ouro do Masdeísmo é: "Age como gostarias
que agissem contigo".
Entre as condutas
proibidas destacavam-se a gula, o orgulho, a indolência, a cobiça, a
ira, a luxúria, o adultério, o aborto, a calúnia e a dissipação. Cobrar
juros a um integrante da religião era considerado o pior dos pecados.
Reprovava-se duramente o acúmulo de riquezas.
As virtudes como
justiça, retidão, cooperação, verdade e bondade, surgem com o princípio
organizador de Deus Ascha, que só se pode manifestar com o esforço
individual de cultivar a Tríplice Bondade. Esta prática do Bem leva ao
bem-estar individual e, conseqüentemente, coletivo. A comunidade somente
pode surgir quando o indivíduo se vê como autônomo, e desse modo pode
descobrir o outro como pessoa. O ego é valorizado como fonte para o
reconhecimento do próximo. Cultivado de forma sadia, o ego torna-se
forte e poderoso para o homem observar a si próprio como membro da
comunidade e capaz de contribuir para o bom relacionamento harmonioso
com os outros seres.
Por isso, eram
incentivadas as virtudes econômicas e políticas, entre elas a
diligência, o respeito aos contratos, a obediência aos governantes, a
procriação de uma prole numerosa e o cultivo da terra, como está
expresso na frase: "Aquele que semeia o grão, semeia santidade". Havia
também outras virtudes ou recomendações de Ahura Mazda: os homens devem
ser fiéis, amar e auxiliar uns aos outros, amparar o pobre e ser
hospitaleiros.
A doutrina
original de Zaratustra opunha-se ao ascetismo. Era proibido infligir
sofrimento a si, jejuar e mesmo suportar dores excessivas, visto o fato
de essas práticas prejudicarem a alma e o corpo, e impedirem os seres
humanos de exercerem os deveres de cultivar a terra e de procriar. Essas
prescrições fomentavam a temperança e não a abstinência. Assim, as
exortações e interdições destinavam-se a proporcionar aos homens uma boa
conduta, além de reprimir os maus impulsos.
117.1.4 -
Doutrina
religiosa:
As revelações e
profecias de Zaratustra estão contidas nos Gathas, cinco hinos que
formam a mais antiga parte livro do Masdeísmo, o Avesta. Os Gathas datam
do final do segundo milênio a.C. Foram escritos numa língua do nordeste
do Irã, aparentada ao sânscrito, o avestan gático. Originalmente, esses
hinos eram transmitidos oralmente. Grande parte do Avesta original foi
destruída, com a invasão de Alexandre Magno e com o domínio posterior do
Islamismo. As escrituras sagradas do Masdeísmo, o Avesta ou Zend-Avesta,
como se tornaram mais conhecidas no ocidente, significam "comentário
sobre o conhecimento".
O Zoroastrismo é
uma das religiões mais antigas e de mais longa duração da humanidade.
Seu monoteísmo influenciou as doutrinas judaica, Cristãs e Islâmicas.
Após o domínio Islâmico do Irã, o Masdeísmo passou a ser religião de uma
minoria, que passou a ser perseguida pela nova religião hegemônica. Por
isso, parte dos seguidores remanescentes migrou para o noroeste da
Índia, onde foi estabelecida a comunidade Parsi. No Irã, permanece ainda
a comunidade Zardushti. Atualmente, o número total de seguidores do
Masdeísmo (Zoroastrismo) não chega a 120 mil, distribuídos em pequenas
comunidades rurais. Por ser uma religião étnica, o Masdeísmo geralmente
não permite a adesão de convertidos. Na atualidade há uma maior
flexibilidade, devido à migração, à secularização e aos casamentos
realizados entre etnias distintas.
Como já
mencionado, a base da doutrina de Zaratustra é o dualismo Bem-Mal. O
cerne da religião consiste em evitar o mal por intermédio de uma
distinção rigorosa entre Bem e Mal. Além disso, é necessário cultivar a
sabedoria e a virtude, por meio de sete ideais, personificados em sete
espíritos, os Imortais Sagrados: o próprio Ahura Mazda, concebido como
criador e espírito santo; Vohu Mano, o Espírito do Bem; Asa-Vahista, que
simboliza a Retidão Suprema; Khsathra Varya, o Espírito do Governo
Ideal;Spenta Armaiti, a Piedade Sagrada; Haurvatãt, a Perfeição; e
Ameretãt, a Imortalidade. Estes deuses enfrentam constantemente as
forças do Mal, os maus pensamentos, a mentira, a rebelião, a doença e a
morte. O príncipe destas forças é Angra Mainyu, o Espírito Hostil,
também conhecido como Arimã.
A adoração a Ahura
Mazda ou Ormuz pode também ser chamada Mazdayasna (Adoração ao Sábio). O
culto não requeria templos, pois Deus era representado pelo fogo,
considerado sagrado e símbolo de pureza. A chama era mantida
constantemente em altares, erguidos geralmente em lugares elevados das
montanhas, onde se faziam oferendas. Os magos, detentores de segredos e
de verdades reveladas, dirigiam os ritos e os cultos – são referidos na
Bíblia, no Novo Testamento. O rei da Pérsia teria enviado a Israel
sacerdotes do Zoroastrismo, que seguiram uma estrela até Belém, no
intuito de encontrar o Salvador, ou Messias.
Zaratustra
transmitira, aos magos e adeptos, os segredos e a verdade suprema que
lhe foram revelados por Ahura Mazda por meio de um anjo chamado Vohu
Manõ. Assim como o Cristianismo, o judaísmo e o islamismo, também no
zoroastrismo a revelação divina é elemento essencial. A religião
Masdeísta diferencia-se das existentes até então não só pelo dualismo
Bem–Mal, mas também pelo caráter escatológico. Entre os seus dogmas,
estão a vinda do Messias, a ressurreição dos mortos, o julgamento final
e a translação dos bons para o paraíso eterno. Inclui também a doutrina
da imortalidade da alma e o seu julgamento.
Conforme os seus
méritos ou pecados, elas iriam para o mundo dos justos (paraíso), para a
mansão dos pesos iguais (purgatório) ou para a escuridão eterna
(inferno). Não sepultavam, incineravam ou jogavam os mortos em rios, mas
ficavam expostos em altas torres a céu aberto. Os corpos dos justos,
salvos da destruição, secariam; já os dos injustos seriam devorados
pelas aves de rapina. Desse modo, Zaratustra pode ser visto como um dos
primeiros teólogos da história por ter erigido um sistema de fé
religiosa desenvolvido e estruturado.
Enquanto religião
ética, o Masdeísmo possuía a missão de purificar os costumes
tradicionais de seu povo a fim de erradicar o politeísmo, o sacrifício
de animais e a magia. Com isso, o culto poderia atingir uma dimensão
ético-espiritual elevada. Zaratustra pregava que o esforço e o trabalho
eram atos santos. Eis algumas frases ou ditos a ele atribuídos:
"O que vale mais
num trabalho é a dedicação do trabalhador".
"O que lavra a
terra com dedicação tem mais mérito religioso do que poderia obter com
mil orações sem nada fazer".
"Aquele que diz
uma palavra injusta pode enganar o seu semelhante, mas não enganará a
Deus."
"Deus está sempre
à tua porta, na pessoa dos teus irmãos de todo o mundo."
"O que semeia
milho, semeia a religião. Não trabalhar é um pecado."
117.2 -
MANIQUEISMO:
Maniqueísmo,
filosofia religiosa sincrética e dualística ensinada pelo
profeta persa Mani (ou Manes), combinando elementos do Zoroastrismo,
Cristianismo e Gnosticismo, condenado pelo governo do Império Romano,
filósofos neoplatonistas e cristãos ortodoxos.
Filosofia
dualística que divide o mundo entre Bem, ou Deus, e Mal, ou o
Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito,
intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a
ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos
do Bem e do Mal.
A igreja cristã de
Mani era estruturada a partir dos diversos graus do desenvolvimento
interior. Ele mesmo a encabeçava como apóstolo de Jesus Cristo. Junto a
ele eram mantidos doze instrutores ou filhos da misericórdia. Seis
filhos iluminados pelo sol do conhecimento assistiam cada um deles.
Esses "epíscopos" (bispos) eram auxiliados por seis presbíteros ou
filhos da inteligência. O quarto círculo compreendia inúmeros eleitos
chamados de filhos e filhas da verdade ou dos mistérios. Sua tarefa era
pregar, cantar, escrever e traduzir. O quinto círculo era formado pelos
auditores ou filhos e filhas da compreensão. Para esse último grupo, as
exigências eram menores.
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117.10 - LUCIFERIANISMO:
O luciferianismo é um conjunto de crenças cuja base encontra-se fixada
na figura de Lúcifer. Divide-se em Luciferianismo Tradicional ou Teista
(crença em Lúcifer como um ser espiritual) e Luciferianismo
Simbólico ou Agnóstico* (crença em Lúcifer como um símbolo de luz,
conhecimento, crescimento individual e auto-aperfeiçoamento).
Este tipo de crença existe também no Paganismo da Tradicional Ibérica,
apesar de não corresponder diretamente a ela e de não possuir, no mais
das vezes, ligação definitiva com nenhum tipo claro de misticismo.
Não confundir com o agnosticismo, enquanto movimento filosófico
não-religioso, que não tem relação com o luciferianismo.
Origens:
O luciferianismo é um antigo culto de mistérios que tem origem nos
cultos de adoração às serpentes. Apesar de muito posterior aos Mistérios
Clássicos, como os de Elêusis, Delos e Delfos, contém traços que deitam
suas origens nas práticas pagãs primitivas da Grécia e principalmente na
Religião Órfica. O Luciferianista presta reverência à entidade romana
conhecida como Lúcifer, o Andrógino, o Portador de Luz, o espírito do
Ar, a personificação do esclarecimento. Lúcifer era o nome dado à
estrela matutina (a estrela conhecida por outro nome romano, Vênus) e
posteriormente descontextualizado e corrompido pelo Cristianismo. A
estrela matutina aparece nos céus logo antes amanhecer, anunciando o Sol
ascendente. O nome deriva do lucem ferre do termo latino, o que traz, ou
o que porta a luz. Lúcifer vem do latim, lux + ferre e é denominado
muitas vezes, como sendo a Estrela da Manhã. De entre todas as entidades
da angelologia e demonologia tradicionais, Lúcifer foi aquela a manter a
relação mais notável com a Humanidade.

Fundamentação teórica:
Para um luciferianista, encontrar a faceta Lúcifer da divindade dentro
de nós é fator importante no caminho da Verdade. Esta Verdade nos trará
consciência, conhecimento e sobretudo, o livre-arbítrio. Lúcifer, para
os homens, seria o caminho para o encontro com o Eu-Divindade, a
manifestação da Vontade profunda integrada aos ritmos do mundo real. Na
angelologia hebraica, corresponde diretamente a Heylel, citado no Livro
de Isaías como a "Estrela Brilhante" e mito muitíssimo anterior à
elaboração romana de Lúcifer. Os hebreus herdaram este anjo dos
babilônios entre 600 a.C. e 300 a.C., enquanto que os romanos só
formularam seu "deus" após o surgimento do Cristianismo na Península
Itálica. Vale ressaltar que existem diferenças importantes de cunho
mítico, ritualístico e filosófico entre o Luciferianismo, mormente o
Simbólico, e o Satanismo. O último posiciona-se, principalmente, como
reação contrária ao Cristianismo, enquanto que o primeiro possui caráter
distinto e identidade semelhante aos cultos pagãos, apesar de totalmente
desligado do Paganismo para grande parte de seus praticantes.
Neoluciferianismo:
O Neoluciferianismo (ou Luciferianismo Moderno) é a versão mais atual do
Luciferianismo, que resulta numa mescla das versões anteriores. Os
luciferianistas modernos vêem Lúcifer como um referencial de auto
realização e desenvolvimento pessoal, sem desconsiderarem a
possibilidade que Ele de fato possa existir (enquanto entidade
sobrenatural).
Na época da Inquisição católica todo e qualquer grupo ou pessoa que
fosse, abertamente, não-cristã, poderia sofrer perseguição religiosa. O
movimento, contudo, não desapareceu por completo e sim se desenvolveu,
tendo relações com outras religiões ao longo do tempo, como a Religião
Wicca - A Bruxaria Pagã - através da identificação de Lúcifer como uma
das manifestações do Deus sol (o Consorte da Deusa). Alguns grupos
Pagãos reconhecem Lúcifer como sendo parte do panteão pagão. É
interessante destacar que Lúcifer, neste contexto, está totalmente
desvinculado da mitologia cristã (que associa a figura de Lúcifer ao
"diabo"). O Luciferianismo Moderno empresta alguns rituais e simbologias
literárias com o Satanismo. Hoje em dia, o Luciferianismo prega uma
visão centrada em Lúcifer, mas de forma eclética e aberta ao
desenvolvimento como se pode ver em vários artigos expostos na Internet.
Referencias:
"A Revolução Luciferiana", obra clássica sobre Luciferianismo, de
Adriano Camargo Monteiro. Madras Editora.
"História Oculta do Satanismo", obra sobre a história do Satanismo e da
Magia Negra, de Santiago Camacho Hidalgo. Madras Editora.
"A Luz de Lúcifer", Michael Salazar. Bantam.
"Lúcifer - O Diabo na Idade Média", obra de teor histórico-religioso, de
Jeffrey Burton Russel. Madras Editora.
Fonte: Wikipedia
Luciferianismo:
O
Luciferianismo é uma doutrina derivada do
Satanismo, que busca
virtudes como iluminação, sabedoria, orgulho, independência e liberdade
de sua principal divindade, Lúcifer. Ao mesmo tempo é subjetivo, baseado
em experiências e aceitação pessoais, sofrendo influências de outras
crenças. Assim, não possui uma base rígida de dogmas a serem seguidos,
sendo transmitido oralmente e praticado, geralmente, de forma
individual.
Historicamente, não há uma origem precisa sobre o início do
Luciferianismo. Mas há um conjunto de conceitos que se desenvolveu ao
longo dos tempos em várias culturas distintas e resultou no
Luciferianismo conhecido atualmente.
As serpentes e os dragões, que são representações de Lúcifer em várias
culturas, são também símbolo de sabedoria e eternidade. Estes animais
eram alvos de adoração no Egito, Babilônia, Pérsia, e entre os Incas
americanos. Assim, podemos supor que esta filosofia já era praticada há
muitos séculos.
Na Bíblia podemos encontrar várias alusões à serpente: "Porque Deus sabe
que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis
como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gênesis – Cap. III – Versículo V).
Neste versículo, a serpente induz Eva a comer o fruto no Éden. Mas
segundo a interpretação dos luciferianistas, encontra-se claramente a
simbologia da serpente como portadora da chave que possibilita o homem
tornar-se Deus.
Ainda, na Europa medieval, precisamente no ano de 1223, havia boatos
sobre um grupo conhecido como Luciferianos. Na verdade, esta "seita" era
composta apenas por pessoas que recusavam-se a pagar os impostos
exigidos pelo Clero, e por esse motivo foram acusados de "adoradores do
demônio" e, obviamente, vítimas da Santa Inquisição. Embora isso seja
apenas um boato, ainda hoje é usado como um argumento metafórico pelos
luciferianos.
Deístas e
Agnósticos:
Num aspecto geral, o Luciferianismo pode ser subdividido em duas
categorias, nas quais as denominações variam e não são tão
significativas para sua compreensão. As modalidades são conhecidas como
Deísta e Agnóstico, Tradicional ou Moderno (termos absorvidos do
Satanismo), etc.
Os adeptos do Luciferianismo Deísta identificam Lúcifer como o criador
do universo, um ser onipresente e onipotente. Neste caso, Lúcifer assume
as características principais de uma divindade.
Os luciferianos agnósticos vêem Lúcifer como um arquétipo, ou seja, uma
referência de virtudes que são visadas por seus adeptos. Esta variação é
nitidamente influenciada pelo Satanismo moderno promovido por Anton
LaVey, no qual não há uma divindade específica, mas cada indivíduo
eleva-se a ponto de considerar-se "seu próprio Deus". Este conceito
também nos remete a ideologia do Thelema, tendo como seu principal
divulgador o ocultista, Aleister Crowley.
Mas em todas as variações, Lúcifer é visto como um ser que abriga em si
os opostos entre Luz e Trevas, e por conseqüência, o equilíbrio entre os
pólos. Este conceito é totalmente contrário a muitas religiões que
possuem figuras que representam os arquétipos de bem e mal de forma
distintas. A aceitação de uma única referência que é paralelamente Luz e
Trevas, segundo os adeptos, é a principal diferença do Luciferianismo em
relação aos outros sistemas religiosos. Dessa forma, não há um confronto
entre "Deus x Diabo"; ao contrário, há uma união dessas forças que são
igualmente responsáveis e necessárias para a evolução humana.
Quem é Lúcifer?
Desde a Antiguidade, passando pelos filósofos e desembocando na figura
conhecida erroneamente como o "demônio cristão", diversos personagens da
mitologia e divindades cultuadas em inúmeras e distantes culturas,
possuem alusões a seres, sejam arquétipos ou concretos, que trazem
consigo as características conhecidas em Lúcifer. A literatura
contemporânea também o aborda amplamente, como as citações ocultistas de
Helena Blavatsky e Eliphas Levi, e na obra poética de John Milton,
Paradise Lost.
Segundo o mito cristão, Lúcifer era o mais forte e o mais belo de todos
os Querubins e conquistou uma posição de destaque entre os demais.
Porém, Lúcifer tornou-se orgulhoso de seu poder e revoltou-se contra
Deus. O Arcanjo Miguel liderou as hostes divinas na luta contra Lúcifer
e os anjos o derrotaram e o expulsaram do Reino do Céu. Mas a idéia de
que Lúcifer rebelou-se contra o Criador e foi expulso também está
presente em outras culturas, além do Cristianismo.
Por ser o "Portador da Luz", na Roma Antiga, Lúcifer foi associado ao
planeta Vênus que, devido sua proximidade com o Sol, pode ser visto ao
amanhecer. O anjo também é chamado de "Estrela da Manhã" e "Estrela d’Alva".
Na Mitologia Romana era o filho de Astraeus e Aurora, ou de Cephalus e
Aurora. Entre os gregos, Lúcifer pode ser associado com Apolo, o "Deus
do Sol".
Nos estudos da Demonologia, diferentes autores atribuem a Lúcifer
características comuns. No Dictionaire Infernale (1863) e no Grimorium
Verum (1517), é o "Rei do Inferno" responsável por assegurar a justiça.
No O Grimório do Papa Honório (século XVI ou XVII), Lúcifer também
assume a função de "Imperador Infernal". Lúcifer também é cultuado numa
variação da Wicca, sendo visto como o Deus do Sol e da Lua dos antigos
romanos.
Luciferianismo &
Satanismo
Apesar de popularmente Lúcifer e Satã serem quase sinônimos e esta idéia
estender-se ao Satanismo e ao Luciferianismo, há diferenças primordiais
entre eles e, por conseqüência, aos sistemas religiosos que os cercam.
Ao longo dos séculos, estes dois personagens também foram representados
artisticamente de formas distintas. Por ser um anjo, Lúcifer, é
comumente retratado como um homem com asas e, por vezes, empunhando um
cajado. Enquanto Satã tem sua imagem associada ao homem com chifres e
patas de cabra, muito semelhante ao deus Cornífero (ou Pã), divindade
masculina e símbolo de fertilidade cultuada entre os pagãos.
Mas, talvez a maior e mais significativa diferença entre ambos os
conceitos, encontra-se na origem das palavras. O termo Lúcifer
origina-se no latim e significa "O portador da Luz" (Lux ou Lucis = Luz
+ Ferre = Carregar). A palavra Satã origina-se no hebraico, Shai'tan, e
significa "Adversário"; podendo ser também uma variação do nome da
divindade egípcia Set-hen. Dessa forma podemos deduzir que,
genericamente, o Luciferianismo busca a Iluminação através de Lúcifer.
Enquanto o Satanismo pode caracterizar-se pela oposição, neste caso, ao
cristianismo. Assim, os luciferianos consideram que sua filosofia é um
"aprimoramento" do Satanismo, apesar de não ser tão conhecido quanto a
doutrina promovida por LaVey.
A combinação da imagem de Lúcifer ao "demônio cristão" foi ocasionada
por uma interpretação equivocada do livro de Isaías: "Como caíste desde
o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra,
tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao
céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da
congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas
das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo levado serás ao
inferno, ao mais profundo do abismo" (Isaías – Cap. XIV – Versículo XII
a XV).
Este trecho narra as intenções do rei da Babilônia que almejava
tornar-se maior que Deus, mas São Jerônimo, que ao traduzir a Bíblia do
grego para o latim no século IV, associou esta passagem com Lúcifer e à
serpente tentadora, ou seja, a simbologia do diabo cristão.
Anteriormente, Lúcifer não havia essa relação. Tanto que, oficialmente,
a Igreja não atribui a Lúcifer o papel de diabo, mas apenas a condição
de "anjo caído".
Magia, rituais e pactos luciferianos:
O Luciferianismo adotou diversas práticas ritualísticas e cerimoniais de
outros sistemas mágicos, caracterizando assim, uma corrente de idéias
próprias com objetivos distintos nesta doutrina. As influências sobre o
Luciferianismo variam de antigos rituais pagãos até os conceitos
contemporâneos do Satanismo.
Podemos citar como exemplos as chamadas práticas Internas e as práticas
Externas, que subdividem-se em Herméticas e Cerimoniais. A Magia(k)
(termo derivado da filosofia thelêmica) Interna é mais comum entre os
luciferianistas, pois atua diretamente no estado de consciência e no
espírito do praticante. A Magia(k) Externa é mais complexa e elaborada,
exigindo uma série de fatores como dia e horários pré-estabelecidos, um
local adequado, vestimentas e instrumentos próprios para efetuar
mudanças no plano físico.
Neste caso, pode ser praticada solitariamente (Hermética) ou em grupo
(Cerimonial). Mas ambas são igualmente importantes entre os
luciferianistas, e o sucesso de uma modalidade interfere na outra.
É falso o conceito das chamadas Missas Negras, as quais seriam paródias
blasfêmicas das liturgias católicas, utilizando-se de urina e fezes para
substituir a hóstia e o vinho, recitando orações ao contrário e
promovendo orgias entre os praticantes. Também é irreal a idéia de
sacrifício humano ou animal. Neste caso, há apenas um sacrifício
simbólico. Há ainda o conceito do "pacto com o diabo" (muito comum na
crendice popular), no qual o praticante "vende a alma pro diabo" em
troca de riquezas e sucesso. Sob a ótica luciferianista, o único pacto
aceitável é o compromisso consigo próprio de buscar a iluminação
espiritual utilizando-se da força da própria vontade.
Fonte principal:
http://luciferianism.cjb.net - Lilith Ashtart - For my Fallen Angel HP
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117.12 - KEMETISMO:
Kemetismo (da palavra Kemet do egípcio antigo, que significa terra
negra, referindo-se ao deserto, e era nome do Antigo Egito) é uma
religião neopagã que cultiva as crenças da antiga religião egípcia.
O Kemetismo é a
tentativa teológica contemporânea de reconstruir religiões antigas
pré-cristãs da matriz indo-europeia; começou na transição do séc. XIX
para o séc. XX em círculos europeus esotéricos e restritos,
fundamentalmente ligados à arqueologia e à história das religiões – o
objetivo era a recuperação da teologia perdida de matriz aramânica de
onde partiu Moisés, mas comum (Moisés, «nascido das águas» do Nilo, é um
nome egípcio) também a Amenófis IV, o que conduziu à fonte mais remota,
de fundo sumério, que inspirara Abraão – mas hoje são os «grupos
egípcios» que estão na moda, misturados a uma wicca negra que celebra
sabbaths com rituais de sangue.
O Kemetismo ortodoxo
é um panteísmo (identifica Deus com o Todo da natureza) e uma monolatria
(politeísmo que adora o Deus Criador acima de todos os outros); aliás,
não há religiões verdadeiramente monoteístas, excepto no Judaísmo mais
ortodoxo: o Judaísmo, o Islamismo e o Cristianismo aceitam os anjos, e
este último é estruturalmente um sincretismo entre o Judaísmo e
múltiplos paganismos helénico-romanos, com uma forte influência da
matriz indo-europeia dos deuses trinitários – Deus Pai o criador, Deus
Filho (Cristo) o conservador e Espírito Santo o destruidor, o obreiro do
Juízo Final, do fim do mundo (tal como é expresso na teologia
providencialista de Joaquim de Fiore); além de que o Cristianismo aceita
os santos como divindades menores que agem milagrosamente sobre o mundo
e a Virgem Maria como quase uma adenda ao Deus Trino.
Kemet,
quer dizer em Egípcio antigo «terra negra», ou seja, o próprio Egipto,
por oposição a «terra vermelha», o deserto.
O fulcral da teologia
kemetica contemporânea é a crença num Princípio Divino Criador chamado
Netjer (à letra, «espírito divino»), que se manifesta no mundo como
Netjeru, espírito imanente presente nos homens, nos animais e em todas
as formas de vida, mas que se mantém força cósmica supra-entes, seria
Netjer/Deus no mundo; por sua vez os entes são Netjer/Deus enquanto
Netjeri, entidade individual oculta que é o poder de vida das criaturas,
o seu ka, energia vital ou alma, manifestação física do Netjeru
imanente, cuja forma substancial é o sangue ou seiva (e, para alguns
grupos praticantes de Magia Vermelha, também o esperma e o mênstruo).
Na teologia kemetica o
cosmos está ordenado por uma lei universal, Maat (que significa «lei»,
«criação», «ordem», «verdade»), nessa ordem cósmica se manifesta a
perfeição de Netjer/Deus, é o seu Netjeru. Maat é identificado com o
lado feminino de Netjer e até deificado por alguns grupos mais gnósticos
e, muitas vezes, identificado à Noite Cósmica, chão negro do universo.
Os homens deveriam manter-se em equilíbrio com esta lei universal,
procurando a pureza de coração e o respeito pela natureza, que surge, na
maioria das expressões religiosas kemeticas, como modelo ético.
À Maat opõe-se,
dialecticamente, Isfet o caos, que é deificado em Apofi a besta. Sem
Isfet, a Maat esmagaria o mundo, privando-o de toda a manifestação
livre, mas o preço deste equilíbrio cósmico é a impureza de tudo (é ser
tudo uma mistura: bem e mal, vida e morte, etc), que se manifesta na
estrutura do mundo e nos males humanos, do espírito e do corpo e, por
fim, na mortalidade. Este equilíbrio é eterno e inviolável, os homens
não se lhe podem opôr, nem pela prática da magia nem pelo saber da
ciência; Isfet o caos ou Apofí a besta só pode ser limitado por Seth,
sempre e erradamente identificado com o Mal – Seth é o Poder no Mundo
que permite aos homens regular Isfet, a força cósmica da destruição e da
desordem, que é a sombra de Maat, a tremenda lei cósmica com que
Netjer/Deus governa o mundo. Para a Kemetica Bem e Mal são emanações do
mesmo Deus Criador, inseparáveis, ramos dialécticos da mesma raíz.
Seth é aquele que luta
na Barca Lunar contra a Serpente Cósmica, é o paladino da humanidade. No
Livro dos Mortos é denominado Senhor dos Céus do Norte e é também dito
Senhor das Terras Estrangeiras e dos Desertos, referência às origens
sumérias de uma parte considerável da religião egípcia. A prevalência
dos cultos a Horus acabaram por deturpar o significado teológico de
Seth, dando-lhe o papel de Apofi a besta; Seth representa, no Antigo
Egipto, a permanência do culto aos celestiais, ou anjos protectores da
humanidade, tal como existiu na civilização mesopotâmica.
As componentes mais
luciferinas da actual Kemetica hipostasiam o papel religioso, iniciático
e mágico do ka, em duas grandes correntes, que se denominam,
vulgarmente, sem grande erudição e de um modo popular, «vampíricas», ou
confrarias ou covens de «vampiros psiquícos» e mesmo de «vampiros
sanguíneos»; estas últimas mais ligadas à mitologia puramente estética e
adolescente da sub-cultura gótica.
A mais sincrética
destas correntes junta à Kemetica egípcia satanismos cristãos, por
intermédio da «interpretação» sui generis das religiões egípcias antigas
feita por Aleister Crowley, e wicca ou wicca negra, com maior ou menor
prevalência de witchcraft da matriz celto-germana. Não passa de modismo
cultural sem valor esotérico real, nem têm corpus hermeticum próprio nem
tradição esotérica.
A outra destas
correntes inscreve-se no movimento kemetico genérico de recuperação do
fundo teológico mesopotâmico comum de onde partiram as monolatrias do
Deus Único; não são maioritariamente de estrutura egípcia e as mais
consequentes são «sumérias» e fundamentam-se teológica e ritualmente no
culto aos celestiais. As mais negras, ou seja, de prática de Magia Negra
ou de Magia Vermelha, dão também uma importância considerável ao ka e
implicam rituais de sangue. Nesta corrente há, grosso modo, confrarias
de sabedoria e confrarias de magia, sendo as segundas maioritariamente
dependentes das primeiras, mas não sempre.
O ritual de passagem ao
Grau de Mago das confrarias mágicas, denominadas «ordens do veneno»,
chama-se Jejum Vermelho, na verdade não é um jejum, uma vez que ao
acólito é suposto conseguir alimentar-se da energia do ka de outras
formas de vida, ou do seu sangue. Além de tomarem como corpus hermeticum
partes consideráveis dos escritos sagrados do Judaísmo, do Cristianismo
e do Islamismo, além de vários apócrifos, incorporam também a tradição
cabalística e alquímica; algumas também aspectos do rosacrucionismo.
Diz-se que as mais
fortes e ocultas são detentoras de escritos religiosos que remontam à
Suméria e ao Egito Antigo e que foi o achado desses escritos, por
arqueólogos europeus membros de uma ordem secreta, que deram o impulso à
Kemetica nos princípios do séc. XX e à concomitante tentativa de opor
aos paganismos ressurgentes uma religiosidade monolátrica mais antiga
que as atuais religiões do Deus Único, dominantes no mundo atual.
Fonte: Wikipedia
http://gothland666.blogspot.com/2006/12/kemetismo.html em 09/02/2010 |