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O mitraísmo (em persa: مهرپرستی) foi uma religião de mistérios nascida
na época helenística (provavelmente no século II a.C.) no Mediterrâneo
Oriental, tendo se difundido nos séculos seguintes pelo Império Romano.
Alcançou a sua máxima expansão geográfica nos séculos III e IV d.C,
tendo se tornado um forte concorrente do cristianismo. O mitraísmo
recebeu particular aderência dos soldados romanos. A prática do
mitraísmo, assim como de outras religiões pagãs, foi declarada ilegal
pelo imperador romano Teodósio I em 391.
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De
suas remotas origens, na Índia, o culto a Mitra difundiu-se gradualmente
e passou por diversas transformações, até alcançar lugar proeminente na
Pérsia e representar, no mundo romano, o principal oponente do
cristianismo nas primeiras etapas de sua expansão.
Na religião védica indiana, Mitra, cuja primeira menção data
aproximadamente de 1400 a.C., era o deus que assegurava o equilíbrio e a
ordem no cosmo. Por volta do século V a.C., passou a integrar o panteão
do zoroastrismo persa -- primeiro, como senhor dos elementos; mais
tarde, sob a forma definitiva de deus solar. Após a vitória de Alexandre
o Grande sobre os persas, o culto a Mitra se estendeu por todo o mundo
helenístico. Nos séculos III e IV da era cristã, as legiões romanas,
identificadas com o caráter viril e luminoso do deus, transformaram o
culto a Mitra na religião conhecida como mitraísmo. Os imperadores
romanos Cômodo e Juliano o Apóstata foram iniciados, e Diocleciano
consagrou, junto ao Danúbio, um templo a Mitra, "protetor do império".
A religião mitraica tinha raízes no dualismo zoroástrico (oposição entre
bem e mal, entre matéria e espírito) e nos cultos helenísticos, como os
mistérios de Dioniso e de Elêusis. Mitra era um deus supostamente do
bem, criador da luz, em luta permanente contra a divindade obscura do
mal. Seu culto estava associado à crença na existência futura
absolutamente espiritual e libertada da matéria -- compatível com as
idéias religiosas e filosóficas da época, como o gnosticismo e o
neoplatonismo, e capaz de oferecer uma esperança de salvação, tal como o
cristianismo.
Os mistérios de Mitra, acessíveis aos iniciados, celebravam-se em grutas
sagradas. O evento central era o sacrifício de um touro, símbolo do
sacrifício original do touro da fecundidade, de cujo sangue brotava a
vida e que proporcionava a imortalidade. Com a ascenção do cristianismo,
o mitraísmo entrou rapidamente em declínio. O dualismo do perpétuo
conflito entre o bem e o mal, ou entre a luz e as trevas, sobreviveu na
doutrina maniqueísta.
Fonte de pesquisa: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
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