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compilado por Beraldo Lopes Figueiredo |
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106 - BUDISMO |
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ÍNDICE:
106.1 - Anatta - A doutrina do "não-eu"
106.2 - O que é o Budismo?
106.3 - Duas escolas do Budismo
106.4 - Zen Budismo
106.5 - Livro Tibetano dos Mortos - Bardo Thodol
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de Walpola
Rahula do livro "Lo que el Buddha enseño"
O que sugerem,
geralmente, as palavras Alma, Eu, e Ego, ou para empregar a palavra
sânscrita Âtma, é que existe no homem uma entidade permanente,
eterna e absoluta, que é uma substância imutável por trás do mundo
fenomenal em mudança.
Segundo algumas
religiões, cada indivíduo tem uma alma separada que é criada por
Deus e que finalmente, após a morte, vive eternamente no céu ou no
inferno, seu destino depende do seu Criador. Para outras, ela
atravessa muitas vidas até que seja purificada completamente e se
una finalmente a Deus ou Brahman, a Alma Universal de onde ela emana
originalmente. Essa Alma ou Eu no homem é o que pensa os
pensamentos, o que sente as sensações, o que recebe as recompensas e
punições por todas as ações boas ou más.
Uma tal concepção é
chamada Idéia do Eu. O Budismo se situa, único, na
história do pensamento humano ao negar a existência de uma tal Alma,
de um Eu ou do Atma. Segundo os ensinamentos de Budha, a idéia do Eu
é uma crença falsa e imaginária, que não corresponde a nada na
realidade, e ela é a causa de pensamentos perigosos de "meu" e
"minha", dos desejos egoístas e insaciáveis, de apego, da raiva, da
maldade, dos conceitos de orgulho, do egoísmo e outras sujeiras,
impurezas e problemas. Ela é a fonte de todos os problemas do mundo,
desde os conflitos pessoais até a guerra entre as nações. Em resumo,
podemos atribuir a esse ponto de vista falso todo o mal do mundo.
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Há duas idéias psicologicamente
enraizadas no indivíduo: proteção de si e conservação de si próprio. Para
proteção de si próprio, o homem criou Deus – do qual depende para sua
própria salvaguarda e segurança da mesma maneira que uma criança depende de
seus pais. Para a conservação de si próprio, o homem concebeu a idéia duma
alma imortal, ou Atman, que viveria eternamente. Em sua ignorância, sua
crença e seu desejo, o homem necessita dessas duas idéias para sua segurança
e consolo; é por isso que ele aí se agarra com fanatismo e obstinação. |
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Os ensinamentos de Budha não
contém esta ignorância, esta fraqueza, essa crença e esse desejo, mas tende
ao suprimi-los, a esclarecer o homem, arrancando e destruindo a própria
raiz. Segundo o Budismo, as idéias de Deus e Alma são falsas e vazias. Ainda
que profundamente desenvolvidas como teorias, elas são, no mínimo, projeções
mentais sutis vestidas com uma fraseologia filosófica e metafísica
complicada.
Essas idéias são tão
profundamente enraizadas no homem, elas lhe são tão próximas e tão caras,
que ele não gosta e não quer compreender ensinamento algum que lhe seja
contrário.
Budha sabia disso e dizia
textualmente que seu ensinamento ia "contra a corrente", ao contrário dos
desejos egoístas do homem. Quatro semanas somente após seu Despertar,
sentado sobre um banyan, ele pensa: "Atingi esta verdade que é
profunda, difícil de ver, difícil de compreender... compreensível somente
pelos sábios... Os homens submersos pelas paixões e envenenados por uma
massa de obscuridades não podem ver essa verdade, que vai contra a corrente,
que é sublime, profunda, sutil e difícil de compreender". Tendo esses
pensamentos, o Budha hesita por um momento, se perguntando se não seria vão
tentar expor ao mundo a verdade que ele tinha percebido. Então, ele compara
o mundo a um tanque de Lótus: No tanque, há os lótus que estão sob a água,
há outros que estão na superfície e ainda outros que estão acima d’água e
não são tocados por ela. Da mesma, maneira neste mundo, há homens de
diferentes níveis de desenvolvimento. Alguns compreenderão a verdade.
Budha decide então ensinar.
A doutrina do Anatta,
ou "não-eu", é o resultado natural que o corolário da análise dos
cinco agregados e do ensinamento da produção condicionada.
Isso que chamamos um ser, ou indivíduo, se compõe de cinco agregados e
que, quando os examinamos ou analisamos, não há nada atrás deles que
possamos tomar como Eu, Atman, ou Si, ou qualquer substância
permanente e imutável. Este é o método analítico. O mesmo resultado é
atingido pela doutrina da Produção Condicionada, que é o
método sintético segundo o qual nada neste mundo é absoluto, toda coisa é
condicionada, relativa e interdependente. Tal é a teoria budista da
relatividade. |
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Antes de abordar a questão "Anatta"
propriamente dita, é útil Ter uma breve idéia da produção condicionada. O
princípio desta doutrina é dada por uma pequena fórmula de quatro linhas:
Quando isso é, aquilo é.
Isso aparecendo, aquilo aparece.
Quando isso não é, aquilo não é.
Isso cessando, aquilo cessa.
Sobre esses princípios de
condicionamento, relatividade e interdependência, a existência inteira, a
continuidade da vida e sua cessação são explicadas em uma fórmula detalhada,
que é chamada de "Patika Samuppada", produção condicionada constituída em
doze fatores:
1. Pela ignorância são
condicionadas as ações volitivas ou formações kármicas.
2. Pelas formações kármicas
é condicionada a consciência.
3. Pela consciência são
condicionados os fenômenos mentais e físicos.
4. Pelos fenômenos mentais e
físicos são condicionadas as seis faculdades [ quer dizer, os cinco
órgãos dos sentidos e a mente ]
5. Pelas seis faculdades
é condicionado o contato. [sensorial e mental]
6. Pelo contato é
condicionada a sensação.
7. Pela sensação é
condicionado o desejo.
8. Pelo desejo é
condicionada a posse.
9. Pela posse é
condicionado o processo do vir-a-ser.
10. Pelo processo do
vir-a-ser é condicionado o nascimento.
11. Pelo nascimento são
condicionados:
12. A decrepitude, a morte,
as lamentações, as penas, etc.
É assim que a vida aparece,
existe e continua. Se tomarmos esta fórmula em sentido contrário, chegamos a
cessação do processo: pela cessação completa da ignorância, as ações
volitivas ou, formações kármicas, cessam; pela cessação das atividades
volitivas, a consciência cessa; pela cessação do nascimento, a decrepitude,
a morte e as lamentações cessam. Mas devemos claramente compreender que cada
um desses fatores é condicionado tanto quanto condicionante. Eles são, pois,
todos relativos e interdependentes, e nada é absoluto ou independente;
nenhuma causa primeira é aceita pelo Budismo, como vimos anteriormente. A
produção condicionada deve ser considerada como um círculo, e não como uma
cadeia.
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A questão do livre-arbítrio tem
ocupado um lugar importante no pensamento e na filosofia ocidental, mas, de
acordo com a Produção Condicionada, esta questão não se põe, e não pode ser
colocada na filosofia budista. Se a totalidade da existência é relativa,
condicionada e interdependente, como somente a vontade poderia ser livre? A
vontade como qualquer outro pensamento, é condicionada. A pretensa
liberdade, é ela mesma uma coisa condicionada e relativa. Se há livre
arbítrio, ele também é condicionado e relativo. Não pode haver o que quer
que seja absolutamente livre, física ou mentalmente, posto que tudo que é
interdependente é relativo. O livre-arbítrio implica uma vontade
independente de condições, independente de causa e efeito. Como uma vontade,
ou não importa o que, poderia aparecer sem condições, fora da causa e
efeito, quando a totalidade da existência é condicionada, relativa e
submetida à lei da causa e efeito? Aqui ainda, a idéia do livre-arbítrio
está, na base, em relação as idéias de Deus, alma, justiça, recompensa e
punição. Não somente isso que é chamado livre-arbítrio não é livre, mas a
idéia mesma de livre-arbítrio não é livre de condições.
Após a doutrina da Produção
Condicionada, como também da análise do ser em cinco agregados, a idéia de
uma substância imortal no homem ou fora do homem (que chamamos Atman,
Eu, Alma, Si, ou Ego), é considerada como uma crença falsa, uma produção
mental – tal é a doutrina Budista de Anatta, Não-eu, Não-alma, Não-si.
A fim de evitar uma confusão, é
preciso mencionar aqui que quando, na vida corrente, empregamos expressões
tais como eu, vós, ser, indivíduo, não é dizer uma mentira pelo fato de que
não há um tal "si" ou "ser", mas é dizer uma verdade conforme uma convenção
do mundo. Mas a verdade filosófica é que, na realidade, não há nem "eu" nem
"ser". Como o Mahayana Sutralankara diz: "Fazemos menção de
uma pessoa como existindo somente enquanto designação [quer dizer que
convencionalmente ele tem um ser], mas não enquanto que realidade (dravya ou
substância)".
"A negação de um Atman imortal é
a característica comum de todo sistema dogmático, quer seja do Pequeno ou do
Grande Veículo [Hinayana ou Mahayana], e não há desde então nenhuma razão de
pretender que esta tradição budista, que esta completamente de acordo sobre
este ponto, haja desviado o pensamento original de Budha".
É, pois, curioso que
recentemente haja sido produzida uma vã tentativa, por parte de alguns
eruditos, para introduzir clandestinamente no ensinamento original de
Budha
a idéia do Eu, absolutamente contrária ao espírito mesmo do Budismo. Esses
eruditos admiram, respeitam e veneram o Budha e seu ensinamento. Mas eles
não podem imaginar que o Budha, que consideram como o pensador mais claro e
profundo, pudesse Ter negado a existência de um Atman ou de um Eu, dos quais
eles têm tanta necessidade. Eles procuram inconscientemente o apoio de
Budha para esse desejo de existência eterna – seguramente, não num pobre e pequeno
"eu" individual, com um "e" minúsculo, mas um grande "Eu", com uma
maiúscula.
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É melhor dizermos francamente
que acreditamos em um Atman ou um Eu; ou talvez, até mesmo dizer que Budha
está totalmente enganado, negando a existência deles; mas, certamente, não é
bom para ninguém ensaiar introduzir no Budismo uma idéia que o
Budha não
aceitou jamais, por mais longe que possamos remontar nos textos originais
existentes.
As religiões que crêem em Deus
ou na Alma não fazem nenhum segredo dessas idéias; muito ao contrário, elas
as proclamam de uma maneira constante e repetitiva nos termos os mais
eloqüentes. Se Budha louvasse outras religiões, essas duas idéias, tão
importantes em todas as outras religiões, ele as teria certamente declarado
publicamente, como falou de outras coisas, e não teria as escondido para que
fossem descobertas somente vinte cinco séculos após sua morte.
As pessoa ficam irritadas pela
idéia de que, após o ensinamento de Budha sobre Anatta, o Eu que elas
imaginavam ter é destruído. O Budha não o ignorava. Uma vez, um monge lhe
perguntou: - "Senhor, existe o caso onde alguém se atormente de não
encontrar qualquer coisa de permanente nele?" – "Sim, monge, existe. Um
homem tem a seguinte idéia: "Esse Universo é esse Atman=Brahma; após a
morte, eu serei como eles, que são permanentes, que duram, que não se
transformam, e existiria como tal pela eternidade". Depois, ele ouve o
Tathagata ou um dos seus discípulos pregando a doutrina que conduz à
destruição de toda a vida especulativa...que conduz à extinção da sede
[desejo], tendendo ao desapego, à cessação, ao Nirvana. Então esse homem
pensa: "Assim eu serei aniquilado, serei destruído, eu não serei mais".
Então ele geme, se atormenta, se lamenta, chora e, batendo em seu peito, se
torna perdido. É assim, monge, que há ocaso onde alguém se atormenta de não
encontrar qualquer coisa de permanente nele". Adiante, Budha diz: "Monges,
esta idéia – eu não serei mais, eu não terei mais – é espantosa para o homem
comum não iniciado.
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Aqueles que querem encontrar um
Eu no Budismo raciocinam assim: É verdade que Budha analisa o
ser na matéria, sensações, percepções, formações mentais e consciência, e
declara que nenhuma dessas coisas é o Eu, mas não diz que não
há um Eu no homem ou em qualquer parte além ou em torno de
seus agregados".
Esta posição é insustentável,
por duas razões: A primeira é que, após o ensinamento de Budha, um ser é
composto por cinco agregados e nada mais. Em nenhum lugar ele
diz que há no ser qualquer coisa mais que esses cinco agregados. A Segunda
razão é que Budha nega categoricamente, em termos claros e em mais de um
lugar, a existência de um Atman, Alma, Eu ou Ego no homem ou em torno dele,
ou em algum lugar do Universo.
Eis aqui alguns exemplos: No "Dhammapada",
existem três versos essenciais no ensinamento de Budha. São os de número
cinco, seis e sete do capítulo XX [ou os versos 277, 278, e 279]. Os dois
primeiros versos dizem:
"Todas as coisas condicionadas
[samskhara] são impermanentes".
"Todas as coisas condicionadas
[samskhara] são dukha. (sofrimento)
O terceiro verso diz:
"Todos os dhamma são sem eu".
Aqui é preciso cuidadosamente
observar que, nos dois primeiros versos, é a palavra samskhara
[coisas condicionadas] que é utilizada. Mas, no mesmo lugar, no terceiro
verso é a palavra dhamma que é utilizada. Porque esse terceiro verso
não utiliza a palavra samskhara como nos dois primeiros versos, e
porque utiliza a palavra dhamma ? É o ponto crucial de toda questão.
O termo samskhara
representa os cinco agregados, todos condicionados, interdependentes,
estados e coisas relativas, ao mesmo tempo físicos e mentais. Se o terceiro
verso afirmasse "todos os samskharas são sem eu", poderíamos, então, pensar
que talvez as coisas condicionadas são sem eu, mas que entretanto pudesse
haver um Eu fora das coisas condicionadas, em torno dos cinco agregados.
Para evitar esta interpretação falsa é que justamente a palavra dhamma
foi utilizada no terceiro verso.
A palavra dhamma (em Pali)
e dharma (em Sânscrito), têm um sentido muito mais amplo que
samskhara. Não há em toda a terminologia budista, termo mais amplo que
dhamma. Ele compreende não somente as coisas ou estados
condicionados, mas também o não-condicionado, o Absoluto, o Nirvana. Não há
nada no Universo, ou fora, bom ou mau, condicionado ou não, relativo ou
absoluto, que não esteja incluído nesse termo.
Isso significa, após o
ensinamento Teravada (Hinayana), que não há Eu, nem no indivíduo , nem no
dhamma. A filosofia Budista Zen (Mahayana) sustenta exatamente sobre este
ponto de vista a mesma posição, sem a menor diferença, colocando o acento
sobre dharma-niratnuya, bem como sobre pudgala-niratnuya. No
Alagaddhûpama-sutra, do Majjhima-nikaya, se dirigindo aos
discípulos, Budha diz:
"Ó Monges, aceitem uma teoria da
alma [atta-vâda] que não engendra nem dor, nem lamentações, nem sofrimentos,
nem aflições, nem atribulações para aqueles que a seguem. Mas conheceis, ó
monges, uma tal teoria da alma que não engendre nem dor, lamentações,
sofrimentos, aflições, atribulações para aqueles que a seguem?"
-
"Certamente não, senhor".
-
"Pois bem. Ó monges: eu
também não conheço tal teoria da que não engendre dor, lamentações,
sofrimentos, aflições, nem atribulações para aqueles que a seguem".
Se tivesse existido qualquer
teoria da alma que Budha tivesse adotado, ele teria certamente aqui exposto,
pois que perguntou aos monges se conheciam alguma teoria da alma que não
engendrava sofrimento. Mas, segundo Budha, se há tal teoria da alma,
qualquer que seja ela, tão sutil e sublime que seja, é falsa e imaginária,
criando toda espécie de problemas e trazendo com ela dores, lamentações,
aflições e atribulações. Continuando seu discurso, Budha diz no mesmo "suttra":
"Ó Monges, então nem o eu, nem
nada que pertença ao eu, podem verdadeiramente e realmente ser encontrados.
Esta via especulativa,(esse Universo é esse Atman [Alma]; após a morte, eu
serei como eles, que são permanentes, que duram, que não se transformam, e
eu existirei como tal pela eternidade) – não é ela totalmente e
completamente insensata?"
Retirado do Site:
http://www.nossacasa.net/SHUNYA/default.asp?menu=969
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Quando a Física
examina os fenômenos, ou seja, o conteúdo de nossas percepções,
percebemos que esse é um processo revelador da verdadeira
essência do universo. Os fenômenos esvaziam-se progressivamente
da sua substância aparente pondo em evidência a forma vazia da
matéria, exatamente como ensina o budismo: a forma é vazia e o
vazio é a forma. "A forma é vazia de qualquer substância
própria e o vazio não é diferente da forma; na realidade, a
forma é o vazio".
Quando encontramos
este vazio, este Não-Ser que está em cada um de nós e que
poderemos tocar em estado meditativo, sabemos com confiança que
somos cada um, um Ser completo e perfeito que contém o universo
em potência.
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106.2
- O QUE É O BUDISMO
ENTREVISTA:
Alaya, para responder as perguntas deste tema.
Ela estuda o budismo há mais de 8 anos e também pratica meditação; por seu
pai ser coordenador do centro budista LamRim, em Brasília e autor de livros
sobre budismo, teve a oportunidade do contato com lamas desde criança.
Também é moderadora da "Comunidade Budismo Mahayana", caso alguém se
interesse em aprofundar o assunto:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6356684
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U |
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1ª verdade:
Estar vivo é estar sujeito ao sofrimento. Implica em sofrer.
A insatisfação e a frustração nos acompanham toda vida. À saúde segue-se a
doença, à juventude segue-se a velhice, à vida segue-se a morte. Estar unido
ao que se detesta é sofrimento. Separar-se do que se ama é sofrimento. Não
se obter o que se deseja é sofrimento
Então o Buda vai diferenciar 3 tipos de sofrimento:
1 - o sofrimento físico, sofrimento do parto, de cair, de ficar
doente, morrer
2 - sofrimento psicológico, que é causado pela impermanência
associada a um apego. Isso vai desde nossas emoções mais sutis ao fato de
quando vivenciamos algo bom e ficamos tentando repetir esse momento, mas não
nos damos conta que cada momento é único, e assim nos frustramos. Quando nos
apegamos a alguém e desejamos que esse alguém esteja sempre conosco, mas ao
nos darmos conta que as coisas são impermanentes sofremos.
3 - o terceiro tipo de sofrimento é o mais difícil de explicar.
Digamos que é um
'sofrimento da alma'.
É um sofrimento decorrente de nossa condição de ignorância da realidade, da
verdade última e de nossa própria natureza. Vemos nosso 'eu' como algo
independente, auto-existente, inerente, separado... e dividimos as outras
pessoas e as coisas do mundo e essa falta de percepção da unicidade entre
todos os seres e todas as coisas, da interdependência, de nos acharmos
separados, gera um sofrimento residual no 'SER' da pessoa.
2ª verdade:
Há uma causa para todo esse sofrimento, há uma raiz
A causa para o sofrimento é chamada de AVIDYA que literalmente traduzido do
sânscrito significa 'não visão'. Avidya é o que comentei no 3º tipo de
sofrimento. É uma ignorância quanto a realidade do eu e dos fenômenos que
nos mantém apegados a uma personalidade que acreditamos ser independente e
auto-existente e nos aparta da vivência da realidade e faz com que desejemos
as coisas e nutramos apegos e também tenhamos aversão. E também faz com que
não vivamos plenamente despertos, assim desenvolvemos vícios, defeitos,
perturbações (decorrentes dessa visão errada e apegada sobre nosso eu).
A insatisfação e o sofrimento são o resultado do desejo e da cobiça, que não
podem ser plenamente realizados. A maioria das pessoas é incapaz de aceitar
o mundo como é porque é levada a buscar sempre o agradável e fugir do
negativo e doloroso. O anseio e o desejo sempre criam uma estrutura mental
instável, no qual o presente, nunca é satisfatório. O desejo nunca se sacia,
a sede nunca se apaga, a fome nunca se satisfaz. Quanto mais intenso for o
desejo, mais intensa será a insatisfação ao saber que tal realização não irá
durar.
3ª verdade:
É possível cortar a raiz do sofrimento. Eliminar a causa da dor.
4ª verdade:
há um caminho para essa cessação do sofrimento
Esse caminho é chamado de caminho óctuplo
- reta compreensão
- reto entendimento
- reta palavra
- reta ação
- reto meio de vida
- reta energia/entusiasmo
- reta atenção
- reta contemplação.
não vou me aprofundar em cada um deles, mas dá muito pano para manga. Por
exemplo, reto entendimento, é buscar conhecer as coisas, se informar,
discernir. Reta compreensão é dar vazão para nossa intuição, de modo que não
sejamos guiados por concepções erradas. Reta palavra é não agredir com a
linguagem, falar apenas palavras verdadeiras e necessárias. Usar a linguagem
de maneira reta. Reto meio de vida é não buscar se sustentar com coisas que
gerem sofrimento a outros seres, como por exemplo ser um político corrupto.
Como trabalhar para a
industria armamentista. Trabalhar para empresas farmacêuticas que abusam de
seres humanos (como no filme o jardineiro fiel). Trabalhar num abatedouro
matando animais e causando dor... é buscar uma profissão que gere benefícios
para a humanidade, e não fira ninguém.
Reto entusiasmo é saber direcionar nossa energia e usá-la para ações
corretas. Se entusiasmar com coisas boas, como um projeto social. Ao invés
de futilidades
Reta contemplação é buscar o mergulho interior, o silencio da meditação e
buscar conhecer a si mesmo e despertar sua luz interior e não deixa
dominar-se pela mente e seus pensamentos mundanos.
- 'O sofrimento é para ser plenamente conhecido.
A fonte do sofrimento é para ser eliminada.
A cessação do sofrimento é para ser vivenciada diretamente.
A senda que conduz à cessação do sofrimento é para ser cultivada'.
(Lalitavistara Sutra) .
- A libertação do sofrimento e
a iluminação não é algo instantâneo. É algo a ser cultivado. Uma escada para
subir, uma senda a ser trilhada. Uma evolução
- há grandes espíritos de luz que estão nos últimos degraus dessa escada que
auxiliam a humanidade a encontrar o caminho. Esses grandes mestres são
chamados de Arhats e Bodhisatvas, são os mais elevados discípulos do Buda e
já possuem autodomínio e não são mais apegados ao mundo e não sofrem com
coisas grosseiras.
- Tudo é impermanente. O budismo vai dizer o mesmo que o filósofo
pré-socrático Heráclito. Nunca colocamos o pé no mesmo rio, pois nunca é o
mesmo rio, nem a mesma água. Tudo muda, tudo passa.
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04 - O que é a lei do Karma?
- A Lei do Karma é algo
fundamental no budismo. Talvez seja um pouco diferente da visão
espírita, mas é a mesma idéia. Colhemos o que plantamos. Somos
responsáveis por nossas ações. Geramos karma meritório/positivo e
negativo.
algumas passagens ilustrativas sobre a idéia de karma no budismo:
"Tudo o que somos hoje é resultado do que temos pensado. Se um homem
fala ou age com uma mente impura, o sofrimento o acompanha tão de perto
como a roda segue a pata do boi que puxa o carro."
"O insensato, que age de modo errôneo, sofre neste mundo e no seguinte.
Em ambos ele se aflige e se lamenta ao recolher os maus resultados de
suas ações impuras."
"Não te amofines contra o karma, nem contra as imutáveis Leis da
Natureza. Ajuda a Natureza e coopera com ela e a Natureza ter-te-á por
um de seus criadores e se te tornará obediente."
"Semeia ações bondosas e colherás os seus frutos. A inação num ato de
misericórdia se converte em ação num pecado mortal. Assim diz o Sábio:
Quererás abster-te da ação? Não é assim que tua alma obterá sua
libertação. Para alcançar o Nirvana é mister alcançar o
autoconhecimento, e o autoconhecimento é filho de atos amorosos."
"Se queres colher doce paz e descanso, Discípulo, semeia com sementes de
mérito os campos de futuras colheitas. Aceita as dores do nascimento. "
"Aprende que nenhum esforço, por mínimo que seja – tanto na direção
certa como na errada –, pode desvanecer-se no mundo das causas.
... Uma palavra brusca
proferida em vidas passadas não se perde, mas renasce sempre. A
pimenteira não produz rosas, nem a argêntea estrela do jasmim se torna
espinho ou cardo.
Podes criar 'hoje' tuas oportunidades de 'amanhã'.
Na 'Grande Jornada', as
causas semeadas cada hora produzem, cada qual sua colheita de efeitos,
porque uma rígida justiça governa o mundo. Com o potente impulso de sua
ação infalível, ela traz aos mortais vidas de felicidades ou aflições,
que são a progênie kármica de todos os seus anteriores pensamentos e
atos".
Anima-te e contenta-te com a
sorte. Tal é o teu karma, o karma do ciclo de teus nascimentos, o destino
daqueles que, em sua dor e tristeza, nascem simultaneamente contigo,
regozijam-se e choram de vida em vida, encadeados a tuas ações anteriores.
Segue a roda da vida; segue a roda do dever para com a raça e a família, o
amigo e o inimigo, e imuniza tua mente aos prazeres e à dor. Esgota a lei da
retribuição kármica. ."
"As tendências que as pessoas apresentam desde a infância são resultado do
karma. Apesar de serem criados de uma mesma maneira, apresentam
características diferentes devido à natureza de seus karmas. "As vidas
passadas produzem tendências inatas." As ações anteriores influirão nas
condições de nascimento e de vida da pessoa. Cada uma de nossas ações é um
elo na cadeia do 'samsara', que não tem começo, entretanto pode ter fim.
"Para compreender esta cadeia, é necessário entender a relação entre mente e
corpo. A mente é como um rio que passa por países diferentes (corpos). Um
rio toma diferentes nomes (formas) conforme os diferentes países. Desta
maneira a mente segue, carregando o karma acumulado com ela. Quando morre um
ser, o corpo deteriora-se e a mente continua em outra forma de corpo,"
tomando outro veículo de acordo com o tipo de karma que acumulou."
Bem, desculpem se me alonguei nesse tema, considero essas passagens
belíssimas e creio que todos, espíritas ou budistas, podem aproveitar-se
positivamente delas ah sim, uma nota, "mente" para os budistas não se limita
a mente intelectual conceitual. É um problema de tradução. Se refere à mente
pura, a mente inata a todos os seres, a mente que eles chamam de 'clara
luz'. Podemos fazer um paralelo com "alma".
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Os 5 agregados que
constituem o eu?
para o budismo o eu é como um "carro".
O carro é feito de rodas,
motor, fuselagem etc... as rodas sozinhas não são o carro... o eu é um
composto de agregados que corretamente correlacionados nos dão uma noção de
sermos um eu, um individuo:
-
O "EU" e os
agregados (skandhas).
-
Rupa (forma,
imagem, corpo físico, figura).
-
Vedana (sensações,
sentimentos, os sentidos).
-
Samjña
(discriminações, percepção diferencial, conceituação mental).
-
Samskaras
(tendências, impulsos, memória, tendências kármicas trazidas de outras
vidas).
-
Vijñana
(consciência particularizada, autopercepção, consciência de ser um eu)
Bem, é um tema muito complexo, apenas para dar uma idéia a vocês
os três tipos de ação:
Toda ação gera um karma, as ações podem ser físicas, da linguagem
(falada/escrita) ou do pensamento. Para o budismo pensar também é uma forma
de agir, ao desejar o mal a alguém, forma-se uma conseqüência kármica
negativa, pois os pensamentos tomam forma e alteram nosso ser.
o samsara, o
renascimento e os elos da originação dependente
segundo o budismo nós estamos presos no samsara.
Isto é, devido a nossos
defeitos, vícios e contaminações e nossa ignorância raiz e principalmente o
APEGO nós somos compelidos a nascer e renascer obrigatoriamente cada vez que
morremos pois não temos domínio próprio. Somos arremessados no 'samsara'.
Samsara designa esse
estado de estar preso ao nascimento compulsório no mundo. Um Buda (ou
um Jesus ou outro grande mestre) pode OPTAR por nascer para ajudar a
humanidade, porém nós somos vitimas de nossas próprias circunstâncias. O
samsara é feito de elos interdependentes que são os mecanismos que aqui nos
prendem. esses elos (os 12 nidanas) são basicamente: a ignorância que
nos faz ter ações contaminadas que geram karmas, esses karmas nos prendem a
um renascimento obrigatório. esse renascer nos dá um corpo, e o corpo entra
em contato com o mundo através dos sentidos, gerando sensações, dessas
sensações surgem o desejo e o apego e do apego contaminado pela ignorância
surge mais renascimento , envelhecimento e morte. è basicamente isso.
05 - O que é
BUDA?
Deve ficar claro que Buda não é um nome próprio, é um titulo, é um estado de
consciência. Significa iluminação. Existe um estado de consciência iluminada
que todos nós podemos atingir. Uma energia "búdica". Sidharta não foi o
primeiro Buda nem o ultimo.
Guru:
no budismo a figura do mestre, do guru, é bastante forte. Não em um sentido
de bengala ou idolatria, mas de alguém que sabe mais e nos auxilia em nosso
caminhar.
em algumas práticas de meditação, visualizamos o guru como sendo uma
emanação do próprio Buda, assim nos aproximamos mais da energia de um Buda e
ao mesmo temo geramos energia positiva para que o guru se aproxime cada vez
mais do estado de iluminação.
conceitos básicos do budismo:
kleshas - as
perturbações mentais:
para o budismo existem seis venenos básicos que nos fazem sofrer e que
devem ser eliminados
a raiz do sofrimento, a raiz de todos eles:
1 - a ignorância que não percebe a realidade do eu e dos
fenômenos
2 - o apego ou desejo
3 - a aversão
4 - o orgulho
5 - a duvida vacilante
6 - as visões errôneas
Paramitas - as 6 virtudes perfeitas:
1 - a generosidade (não doar apenas materialmente, mas doar
energia, doar ensinamento, dedicar sua vida a algo para um bem maior)
2 - paciência (paciente mas não passivo)
3 - harmonia nas ações, ser ético
4 - perseverança entusiástica
5- contemplação, meditação
6 - sabedoria.
Ao desenvolver essas virtudes o caminhante sobe degraus na senda para a
iluminação
Os três principais aspectos da Senda para a iluminação
para tornar-se um Buda e libertar-se do sofrimento 3 coisas são
essenciais:
- Compaixão.
Compaixão plena, profunda e verdadeira. Por todos os
seres sencientes, por todo o planeta. Ver a todos não só como irmãos,
mas como parte de nós mesmos, pois compreendemos a independência.
- Sabedoria. Sabedoria que compreende essa independência, essa
falta de separatividade das coisas, percebe a realidade tal como ela é e
assim naturalmente também faz surgir simultaneamente (e vice versa) a
compaixão.
- Desapego.
Desapego não é abandonar nossos entes queridos nem
nossos objetos pessoais, mas mudar o modo como nos relacionamos a eles.
amando plenamente sem apegos, percebendo a impermanência. O apego é uma
atitude mental, uma pessoa muito pobre pode ser muito apegada a algo,
enquanto alguém que tem muitos bens pode se relacionar de maneira mais
saudável com eles por exemplo.
06 - Conceitos básicos do
budismo?
A
realidade - paramarthasatya e samvritisatya
Para o budismo existe uma realidade ultima, suprema, em que nos
libertamos de conceituações e vemos todas as coisas tais quais são
e existe uma realidade relativa, uma realidade aparente, que é
necessária para que vivamos no mundo.
é um dos temas mais complicados dentro do budismo, muito profundo
filosoficamente. Lembra bastante as questões que tem sido colocadas
pela física quântica e essas outras idéias modernas que tem surgido.
Varias idéias do filme 'quem somos nós' se assemelham muito com a
visão budista do mundo.
Meditação:
A meditação é muito importante. O propósito dela não é se isolar,
mas nos tornar pessoas melhores. E sendo melhores, podemos ser
melhores exemplos e melhorar o ambiente em que vivemos através de
nossa vibração positiva. A meditação tem vários níveis
a principio um de seus propósitos é cessar as ondas, o movimento
agitado da mente conceitual, dar espaço para a mente pura, a mente
iluminada, o ser de luz que vibra dentro de nós, manifestar-se no
silencio. Meditação é autoconhecimento, e aprender a reconhecer
nossas emoções, tomar as rédeas de nossa mente ao invés de deixar
que ela e nossos impulsos dominem nosso dia a dia. Meditar é
fortalecer as virtudes, dar espaço para a 'voz do silencio'.
quando o praticante finalmente atinge um estado de paz interior que
cessam os movimentos do pensamento isso é chamado 'shamata'
tendo atingido esse estado o praticante pode mergulhar mais
profundamente em seu ser e buscar resposta para suas questões
existenciais que estas virão da maneira de um profundo insight
Bem, esses são alguns dos conceitos básicos do budismo
Me desculpo se me alonguei demais, tentei ser breve, mas cada um
desses temas dá um livro inteiro. Esses conceitos aparecem nas mais
diferentes linhas do budismo. Mas.devo ter esquecido de algum
espero que sejam o suficiente para dar uma boa noção.
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06 - Haviam muitas profecias anteriores à
encarnação de Sidarta que lhe indicavam o nascimento e a vida. É possível
saber qual a posição dele diante destas profecias?
Não sei se haviam profecias anteriores a Sidharta. O que se sabe é que
quando um grande mestre da luz vai nascer, todos aqueles que estão em algum
grau de evolução trilhando o caminho da luz procuram nascer próximos para
terem a oportunidade rara de aprender com um Buda.
(o que me lembra uma passagem de um evangelho apócrifo do cristianismo em
que Jesus diz que ele combinou (antes de nascer) com todos os seus
discípulos para que nascessem ali)
Quando Sidharta nasceu um grande vidente visitou seu pai, que era rei de uma
região, e disse que o menino seria um grande líder.
07 - Sidarta se
considerava O Iluminado ou este adjetivo lhe foi atribuído após sua
desencarnação?
O adjetivo só foi atribuído posteriormente, assim como com outros grandes
mestres da humanidade. Ele mesmo dizia para as pessoas não acreditarem nas
coisas só porque esta em uma escritura, porque alguma autoridade disse etc,
mas para filtrarem o ensinamento em seus corações. Ele não pedia para
acreditarem nele.
08 - Conta-se que durante a sua
infância/adolescência, o Buda foi apresentado à muitos prazeres, por seus
próprios pais, para tentar desviá-lo do cumprimento das profecias que lhe
anunciavam. É possível saber até onde tais tentações encontraram ressonância
nos hábitos dele, e se influenciaram de alguma forma a formação de seu
caráter ou de sua doutrina?
Bem, como pude ver, você conhece a historia da profecia. De fato conta-se
que seu pai, sendo um poderoso rei local, desejava que seu filho fosse seu
herdeiro, e não um religioso. Na índia até hoje é comum pessoas abandonarem
suas casas para seguir a vida religiosa, e muitas vezes fazem isso por fuga.
A lenda conta que sidharta foi cercado com os prazeres do mundo mas
obviamente a lenda é exagerada, dizendo q ele nunca saiu do palácio e tudo o
mais. Sempre há um aspecto lendário para toda essas coisas. Até hoje é comum
na Índia os casamentos arranjados. Logo que sidharta nasceu seu pai
arranjou-lhe uma esposa para casar mais tarde. Ele casou com 17 anos (se não
me falha a memória) e teve um filho. Posteriormente sua família tornou-se
seus discípulos também. Pesquisando historicamente as escolas de filosofia
indiana (o hinduismo, os brâmanes, a vedanta, a yoga, os upanishades)
daquela época e as influencias na região e pesquisando as pessoas com que
Sidharta teve contato, fica evidente que o jovem teve uma boa educação e
passou pelos melhores mestres dessas linhas.
Mas o que torna mais fácil de
entender é que pelo que sabemos (através do budismo e do espiritismo) tudo é
um processo de evolução, uma ser não torna-se Buda de uma vida para outra, é
uma alma em ascensão espiritual. Um ser elevado tem suas inquietações
interiores, suas reflexões e meditações. Há historias sobre a infância de
Sidharta em que ele contempla várias de suas vidas anteriores e se questiona
sobre a existência.
É claro que seu pai desejava um bom rei, e não mais um asceta como havia aos
montes na índia. E por isso a lenda tem seu fundo de verdade. Mas seria
ingênuo pensar que uma alma tão elevada não iria ter suas próprias
experiências e reflexões desde cedo e se deixar levar tão facilmente pelo
mundo externo. nós sabemos que não é assim e a pesquisa histórica sobre as
influencias e contatos mostra um sidharta menos lendário, e mais buscador.
09 - O Budismo tem uma doutrina constituída?
Ele tem dogmas (doutrinários ou religiosos)?

a doutrina budista é basicamente esses conceitos que coloquei anteriormente.
Há outras coisas, mas com esses conceitos básicos já da para ter uma idéia.
Não existem dogmas. Um ensinamento muito citado em meios budistas é esse
"Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento.
Tenhais confiança não nas palavras do ensinamento, mas no espírito das
palavras.
Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência.
Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes.
Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de
geração para geração.
Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.
Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não
creiais no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.
Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e
anciãos.
Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme
ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para
os outros, então o aceiteis e façais disto a base de sua vida."
Kalama Sutra
10 - Qual o papel dos rituais para o verdadeiro budismo?
Como toda religião, o budismo tem seu lado mais interno, mais profundo, mais
filosófico, mais prático e seu lado mais externo, popular, cultural,
'religioso'
alguns rituais são meramente externos e "religiosos" (no sentindo ruim do
termo). já outros tem um propósito. Os mantras por exemplo são usados para
gerar uma vibração positiva na aura, pois sabemos que o som é vibração.
Também são usados para proteger a mente de pensar coisas negativas, enquanto
a pessoa esta cantando mantra, ela não esta pensando na novela, nas compras
do mercado, no problema com o marido etc. e assim o tom vibratório da mente
melhora.
os altares e oferendas podem ser bastante vazios e exagerados, mas se feitos
corretamente são um exercício de humildade e generosidade.
11 - Considerando q o budismo teria nascido
na Índia, existem diferenças em sua prática por lá e nos confins da China?
Existem diferenças sim. O budismo foi sofrendo influências
Não é impressão sua, na Índia há muito poucos budistas
Veja bem, a Índia sempre foi muito grande e teve uma população muito
numerosa. Quando o Budismo surgiu, surgiu no norte e teve bastante
seguidores. Alguns desses seguidores espalharam o budismo no sul da Índia,
no Laos, Camboja etc.
outros para o Nepal, Butão.. Porém o numero de hinduístas sempre foi muito
maior. Lá pelo século 8 os mulçumanos começaram a invadir a índia pelo norte
e a maioria dos budistas fugiu para o Tibet e china. O budismo praticamente
sumiu da Índia.
No Tibet ele sofreu influencias da tradição local, o Bön (xamanismo) e
incorporou a cultura tibetana de ter coisas muito coloridas e tal.No Japão
misturou-se com o xintoísmo e assim por diante. O budismo tibetano é mais
focado em praticas que envolvem o trabalho com energias (chakras)
visualizações, cores, mantras...
o budismo japonês tem uma meditação mais focada apenas no silencio.
(essa é uma das diferenças).
há diferenças de ênfase nos ensinamentos, pois em cada região chegou textos
e mestres diferentes, mas nenhuma diferença muito gritante.
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12 - Os budistas acreditam em
Deus?
Talvez essa sua pergunta
seja a mais difícil de responder dentro do budismo. Até hoje cria-se
polemica em torno do tema.
Buda não afirmou nem negou nada sobre a existência de Deus.
Porém meus amigos, antes de responder essa pergunta, pensemos no
contexto histórico e cultural. Essa nossa visão sobre Deus é baseada na
cultura judaico-cristã que por muitos séculos antropomorfizou deus,
transformando-o em um ser, um algo que possui inteligência que criou um
mundo. Se nos aprofundarmos no estudo da cabala por exemplo,
perceberemos que mesmo na cabala judaica, há uma idéia mais 'filosófica'
a respeito de deus, e menos 'personalista'. A idéia do AIN SOPH
Ain Soph (do hebraico: Sem Limites) é o Todo Supremo da cabala, aquilo
que podemos chamar de "Deus" em seu aspecto mais elevado, não sendo, no
sentido estrito da palavra um "ser", já que, sendo auto-contido e
auto-suficiente, não pode ser limitado pela própria existência, que
limita a todos os seres que a possuem. De Ain Soph é que emanam os
Sephiroth para formar a árvore da vida, que é uma representação abstrata
da natureza divina (Pleroma). Ain Soph é o Não Ser, um princípio que
permanece não manifestado e é incompreensível à inteligência humana.
O Ain Soph da cabala é o mesmo Ser e Não ser de Parmênides (um filosofo
pré-socrático). O mesmo OIW dos celtas, uma 'potencia divina que a tudo
preenche' e não um ser na forma de 'deus criador'. O mesmo zero de
Pitágoras. O zero que se manifesta em 1, e daí surge a manifestação. É
muito mais uma idéia metafísica sobre a realidade do todo do que um ser
para quem oramos e pedimos
Plotino, um filósofo
neoplatônico, vai dizer o seguinte:
"O Uno é todas as coisas e nenhuma delas.
A Unidade é uma fonte sem origem.
Nos planos sutis cada ser constitui uma parte do Todo.
Retira-te em ti mesmo e contempla. A contemplação é o fim da ação.
Jamais olho algum contemplará o Sol sem tornar-se semelhante ao Sol, nem
alma alguma verá a Beleza sem ser bela. Que todo ser se torne divino e belo
se quer contemplar o Uno e a Beleza."
E creio que para o budismo seja assim também. Se tivermos essa idéia sobre o
UNO, a VIDA UNA em seu sentido metafísico, talvez possamos nos aproximar de
uma idéia de Deus no Budismo.
O budismo nasceu na Índia e na Índia nunca existiu a idéia de um deus como o
nosso deus 'judáico-cristão'. A Filosofia Vedanta vai tratar os deuses
hindus como arquétipos, princípios do universo, símbolos das energias que
regem o mundo, e não exatamente seres que possuem vontades próprias. São
princípios arquétipicos.
No Brhamanismo também temos algo semelhante... há um criador 'Brahma', mas
Brahma é o 1, e não o 0 -- aquele que a tudo precede, o auto-existente,
incriado, inefável e incognoscível.
No budismo, assim como na escola de filosofia indiana chamada Samkhya, há a
idéia de ciclos. Purusha - o espírito, e Prakriti - a matéria, se intercalam
em "inspirações e expirações" (dias e noites de Brahma). Assim não há um
Deus que criou o mundo, há ciclos de criação regidos por leis universais.
Assim como Einstein disse que E = mc2, que energia é matéria... Purusha
tranforma-se em PRakriti e surgem os mundos e os planetas, esses passam por
ciclos de evolução e então Prakriti se recolhe novamente a purusha, e isso
se repete através das Eras, então é bem diferente da Idéia de um Deus que
cria o planeta terra.
Como podem perceber, falar de
Deus dentro do budismo é algo extremamente complicado. Não há um conceito
dentro do budismo que se relacione ao nosso 'imaginário' da figura de deus,
os budistas não oram a um deus, não se reportam a uma imagem de um deus. Mas
é como no exemplo do AIN SOPH que citei ali em cima: "Ain Soph é o Não Ser,
um princípio que permanece não manifestado e é incompreensível à
inteligência humana."
se ele é incompreensível à inteligência humana, se é algo tremendamente
abstrato, eles não se ocupam a tentar entender, pois compreendem sua
incompreensibilidade. E assim se envolvem com questões mais praticas,
possíveis de compreender e vivenciar.
Então, não há deus no budismo da forma que há para nós ocidentais
mas isso não quer dizer que sejam ateus, que não acreditem em princípios
espirituais que regem a grande VIDA UNA.
No século 19 um grande mestre
do budismo que viveu um tempo no ocidente e estava familiarizado com idéias
ocidentais (mas viveu a maior parte de sua vida no Tibet) escreveu uma carta
a um ocidental tentando explicar a visão dele de deus.
Vou colocar alguns trechos aqui, pois considero muito interessante. Peço que
vocês lembrem que ele se reporta ao conceito 'deus' que existia no século
19, que ainda era muito fortemente aquela coisa antropomórfica.
"Sabemos que há vidas planetárias e outras vidas espirituais e sabemos que
em nosso sistema solar não existe coisa tal como Deus, seja pessoal ou
impessoal. Parabrahm não é um Deus, mas a lei absoluta e imutável, e Ishwara
(outro deus hinduísta) é o efeito de Avidya (a ignorância) e Maya,
ignorância baseada na grande ilusão. A palavra “Deus” foi inventada para
designar a causa desconhecida daqueles efeitos que o homem tem adorado ou
temido sem entender"
O que ele está dizendo é que quando alguém morria de causa misteriosa (para
a época) diziam 'foi deus' (mas na verdade podia ser um câncer ou outra
coisa), quando algum 'médium' produzia uma manifestação, as pessoas diziam
'foi deus que se manifestou'.mas na verdade foi a ação de um médium. O
budismo, assim como o espiritismo, busca ser cientifico, e não atribuir
crenças aquilo que não se consegue explicar.
ainda da carta: "A idéia de um Deus não é uma noção inata, mas adquirida"
a idéia de deus esta tão arraigada em nossa cultura ocidental que não
conseguimos aceitar que alguém não pense como nós. Mas de fato os orientais
vivem a espiritualidade sem essa idéia de deus que nós temos.
"nós só temos uma coisa em
comum com as teologias – nós revelamos o infinito. Mas enquanto atribuímos
causas naturais, sensíveis e conhecidas (por nós pelo menos) a todos os
fenômenos que procedem do espaço, da duração e do movimento infinitos e
ilimitados, os teístas atribuem a eles causas sobrenaturais, inteligíveis e
desconhecidas.
O Deus dos teólogos é simplesmente um poder imaginário, um bicho papão.
Nossa principal meta é libertar a humanidade deste pesadelo, ensinar ao
homem a virtude pelo bem da virtude, e ensiná-lo a caminhar pela vida
confiando em si mesmo, ao invés de depender de uma muleta teológica".
"... o vosso Deus é nossa VIDA UNA, imutável, inconsciente em sua
eternidade... Quando nós falamos da nossa Vida UNA, também dizemos que ela
não só penetra, mas é a essência de cada átomo de matéria; e que, portanto,
ela não apenas tem correspondência com a matéria, mas possui também todas as
suas propriedades."
"Negamos a existência de um Deus pensante, consciente, com base em que um
tal Deus deveria ser condicionado, limitado, sujeito a mudança, e portanto,
não infinito. Rejeitamos a proposição absurda de que pode haver, mesmo em
universo ilimitado e eterno, duas existências eternas e onipresentes. Se
esse ‘Deus’ for descrito para nós como um ser eterno, imutável e
independente, sem partícula alguma de matéria em si, então responderemos que
ele não é um ser, mas um princípio imutável, uma Lei.... Deus, já que
ninguém jamais e em tempo algum o viu – a menos que ele seja a própria
essência da Natureza, sua energia e seu movimento,"
"um sentimento constante de dependência a uma Divindade vista como a única
fonte de poder faz com que um homem perca toda autoconfiança e o impulso
para a atividade e a iniciativa. É um pecado atribuir a um Deus a tarefa de
libertar as pessoas de si mesmas."
talvez muitos de vocês sintam aversão por esse posicionamento, sintam-se
desconfortáveis. Porém o que eu gostaria de deixar claro é que o budismo
ensina que no coração de cada ser há uma semente de luz 'divina' esperando
para germinar, que essa mesma semente de luz habita todos os seres e
portanto nos torna unidos.
um mestre do budismo do século 2d.C , chamado Nagarjuna, vai dizer em uma de
suas obras
"A natureza de todas as coisas
Aparece como um reflexo,
Puro e naturalmente brilhante,
Com a natureza não-dual, tal como é."
então o budismo busca o despertar desse principio espiritual presente em
todos os seres, e busca essa transcendência da dualidade... mas é complicado
fazer um paralelo com o nosso deus ocidental, pois paralelos entre culturas,
termos e linguagens, nem sempre são corretos e precisos. |
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13 - Como o Budismo vê a mediunidade? Como
ela é usada pelos adeptos?
No budismo existem os chamados SIDDHIS. Sidhis são os poderes supra-humanos.
Isto é, clarividência, clariaudiência, telepatia, mover objetos com a mente,
essas coisas
Em algumas lendas chega-se a dizer que Buda levitava e conversava com os
deuses (para nós seriam anjos etc.)
Por exemplo, Sidharta, o Buda, teve um grande discípulo, seu maior discípulo
chamado Maitreya. os discípulos mais elevados do Buda são seres muito
evoluídos que já possuem autodomínio e podem nascer no mundo se quiserem ou
não, ou podem habitar outros planos espirituais.
No século 4d.C., isso é, uns 900 anos após o desencarne do Buda, um grande
mestre budista chamado Asanga fundou uma escola de budismo mahayana na Índia
chamada Yogacara. Asanga escreveu muitos livros, mas três de suas obras (as
mais profundas) são atribuídas ao próprio Maitreya. O que a tradição conta é
que Asanga em profunda meditação recebeu instruções de Maitreya
No século 14 d.C. outro mestre budista, Tsongkhapa (fundador da escola
gelugpa, que é a do dalai lama). Teve contato com o próprio Buda. Porém aqui
é um pouco diferente. É dito que Tsongkhapa se conectou à energia de
Sabedoria de um Buda, ele não se conectou ao homem Sidharta, mas à energia
búdica acessível apenas para os seres mais elevados. E assim, conectado à
sabedoria búdica ele escreveu belíssimas obras.
Há vários exemplos desse tipo
Então a mediunidade existe dentro do budismo, mas ela não é considerada a
coisa mais importante. Isso se dá porque os budistas vêem o plano astral
como um plano inferior, inferior ao próprio plano mental (e os mestres só
estariam acima deste). Eles também consideram que devemos deixar os mortos
seguirem seu curso em paz e não ficar atraindo-os de volta ao apego à vida
terrena. No mais, ter siddhis (poderes mediúnicos) é considerado menos
importante do que a pratica das virtudes. Então existe, mas não é a ênfase
central.
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14 - Buda e Jesus -
semelhanças
Destacando brevemente:
é dito que Buda nasceu de uma virgem, e ao nascer ele caminhou e andou e
por onde pisava nasciam flores de lótus. Tanto Buda quanto Jesus
passaram por tentações e procuraram divulgar um ensinamento baseado na
compaixão.
Sobre o termo Cristo: como muitos aqui devem saber, Cristo não é o
sobrenome de Jesus, mas assim como Buda foi atribuído a Sidharta, o
titulo Cristo foi atribuído a Jesus. Sou tradutora, e como estudante de
tradução não pude deixar de notar que o termo Khristos em grego é
semelhante a Krishna, e ambos tem uma significação de algo relacionado à
luz.
Voltando à Questão de Deus, enquanto o budismo fala sobre uma VIDA UNA
que a tudo permeia, o cristianismo fala 'deus está dentro de vós e em
todas as coisas' (no evangelho de Tomé por exemplo)
enquanto o budismo fala "A semente búdica habita o coração de todos os
seres e todos podem tornar-se budas" o cristianismo fala (nas cartas de
são Paulo) "Cristo EM VÓS é a esperança da glória... Que o discípulo
torne-se como o mestre"
No cristianismo temos os 10 mandamentos, no budismo temos os 5
preceitos, que são bastante semelhantes:
# não matar
# não roubar
# não ter relações sexuais ilícitas (isso é, adultério, estupro, orgias)
# não dar falso testemunho
# não uso de drogas e álcool (substâncias entorpecentes em geral).
Breve analogia entre Buda e
Jesus:
Buda:" É mais fácil
ver os erros dos outros que os próprios; é muito difícil enxergar os
próprios defeitos. Espalham-se os defeitos dos outros como palha ao
vento, mas escondem-se os próprios erros como um jogador trapaceiro"
Jesus: "Por que olhas o cisco no olho de teu irmão e não vês a
trave no teu? Como ousas dizer a teu irmão: 'Deixa-me tirar o cisco de
teu olho, pois sei corrigir teu erro de visão'? Hipócrita, tira primeiro
o engano de tua visão, e só então poderás tirar o cisco de teu
companheiro".
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Buda: "Não importa o que um homem faça, se seus atos servem à
virtude ou ao vício, tudo é importante. Toda ação acarreta frutos"
Jesus: "Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má
dar bons frutos. Porventura colhem-se figos de espinheiros ou ervas de
urtigas? Toda árvore se conhece pelos frutos".
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Buda:"A pessoa má fala com falsidade, acorrentando os pensamentos
às palavras. Aquele que fala mal e rejeita o que é verdadeiramente justo
não é sábio".
Jesus: "O homem bom tira coisas boas do tesouro do coração, e o
mau retira coisas más, pois a boca fala do que está cheio o coração.
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15 - Como o Budismo vê a continuidade da
consciência de uma vida para outra?
No budismo fala-se de um "continuum
mental". Não existe morte e reencarnação... existe apenas
estados de consciência.
Assim, não há uma alma fixa e
imutável que "pula" de um corpo a outro, mas um eterno e impermanente
continuum que nasce morre renasce morre... num fluxo de experiências e
karmas. Não há exatamente um "ente" que nasceu e morreu e renasceu... mas
esse eterno fluxo, que é mutável.
O budismo fala que nossa noção de sermos um 'eu' é decorrente de 5 agregados
que juntos nos dão uma percepção de um ser individual.
esses agregados são:
- a forma física e as formas mentais (como a imaginação - tudo que possa
relacionar-se a 'forma'), as sensações, as percepções e discriminações
(conceituação, "isso é isso, isso é aquilo, eu sou eu"), as tendências
kármicas (ações que geraram karmas impressos em nosso continuum e que
'colorem' nosso ser com a 'tonalidade e cor especifica desse karma', e a
consciência (o velho 'penso logo existo).
esse ‘não-eu’ do budismo não é negar que nós existamos. Mas o budismo afirma
que existimos apenas de forma relativa, apenas quando em relação com o
mundo.que nos sentimos seres inerentes, independentes, separados, mas na
verdade somos vazios de existência inerente... por isso difere do
espiritismo, que dá concretude individual para as almas...
Se no budismo há a forte noção dessa falta de independência e separatividade
do eu (pois fala-se de interdependência e união) e da impermanencia, o ser
de ontem não é o ser de hoje, muito menos o do século passado... eles são um
‘fluxo continuo de existência’, mas não um ser (fixo de certa forma) que sai
encarnando por ai colhendo experiências... apenas um fluxo, que entra em um
corpo, sai do corpo, volta ao corpo, mas um fluxo linear.
Assim, a Alaya de hoje não é a mesma Alaya de quando tinha eu tinha 17 anos
e muito menos é a mesma alaya de 10 anos de idade. Quando eu nasci eu recebi
um rotulo "Alaya", e nessa existência me identifico com esse corpo, mas
mesmo meu corpo mudou através dos anos, assim como minha personalidade
mudou, minhas opiniões mudaram, então eu não sou 'a alaya', mas sou um
eterno processo de mudança e auto-descobrimento. Eu tenho consciência de
minha vida passada.
Levando em conta esse ponto de
vista budista eu não poderia dizer "eu sou a reencarnação daquela mulher que
viveu na Inglaterra no século 19". O meu fluxo de consciência passou por
aquela mulher naquele corpo e colheu aquelas experiências, mas eu não sou
ela, eu sou o fluxo mutável que passou por ela... eu poderia dizer que há
tendências dela se manifestando em mim, pois somos o mesmo 'continuum', mas
não que eu fui ela, pois eu sou eu apenas agora, no presente, amanha serei
outra pessoa.por isso muitos budistas afirmam não existir reencarnação, pois
o eu de hoje não é o de ontem... é nesse sentido que falam, não no sentido
de negar uma vida anterior.
Assim, eu não posso dizer no século 21 "eu fui Joana Darc, porque Joana Darc
foi aquela pessoa, que sofreu aquelas influencias culturais, que foi
matizada por aquela época.. eu sou 'conseqüência de Joana Darc, mas não ela
em si (não estou dizendo que fui ela não heim gente).
No budismo, esse fluxo de
consciência, esse continuum sempre mutável é linear, mas as experiências não
o são.
Lembram do ensinamento budista sobre os 5 agregados que nos dão uma noção de
sermos um eu (forma, sensação, percepção, tendências kármicas e
consciência). Pois então, quando morremos a única coisa que segue para uma
próxima vida são as tendências kármicas. É claro que em cada vida somos
preenchidos pela "essência espiritual" que permite nossa iluminação, mas
aquilo que segue de uma vida para outra são os registros kármicas daquele
fluxo.
Essas tendências kármicas são as repetidas ações que vamos com entendo no
decorrer das vidas e colorem nosso fluxo de consciência de maneira
particular, gerando karmas. Por exemplo, se em uma vida a pessoa foi um
grande pianista, em uma próxima vida você terá uma tendência a se interessar
por música. Porém é como se todas essas tendências ficassem armazenadas numa
'caixinha no sótão' e só viessem a superfície se houvesse algo no mundo
externo que as estimulassem a sair. Na prática, isso significa que um grande
pianista em uma vida pode em sua vida seguinte não se envolver Nada com
musica, , pois na vida seguinte resolveu manifestar outras tendências que
estavam guardadas decorrentes de outras vidas e nessa vida não teve a
oportunidade de ter contato com educação musical e nem sua família estimulou
muito isso, então a tendência não aflora
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Porém digamos que umas 3 vidas
depois ele nasce numa casa que tem um piano. Essa criança vai ter a
oportunidade de trazer à tona aquela tendência de pianista, e desde muito
pequena vai querer brincar no piano e querer aprender a tocar. Ele pode ter
um irmão que não se interessa nada pelo instrumento, e quer brincar de
outras coisas, porque esse irmão não tem a 'tendência kármica' em seu
continuum que o atraia para aquilo.
Se em uma próxima vida aquele pianista virar músico novamente, ele vai
reforçar aquela tendência kármica e ela virá novamente com mais força ainda
De outra forma, essas 'tendências kármicas' são o que vão dar cor à nossa
personalidade. Se a pessoa costuma agir com raiva, essa tendência se
manifestara nas vidas seguintes na forma de uma pessoa muito irritável,
raivosa, se essa raiva não for trabalhada, aquilo vai se reforçando, e nas
próximas vidas voltara a aparecer. Por isso as vezes nos identificamos com
nossas personalidades nas vidas passadas. E essas tendências são ações que
geram karmas a serem retribuídos.
Segundo o budismo esse karma fica impresso em nós, mas manifesta-se em
momentos distintos... Na minha encarnação atual eu posso estar manifestando
características (samksaras- tendencias kármicas) que gerei em minha vida no
século 15... e deixando as minhas características da vida do século 19
adormecidas..., para depois se manifestarem daqui umas, 3,7, 10 vidas. Para
o budismo, nem sempre nossa vida atual é decorrência direta da vida
anterior. Mas é claro que dependendo do caso a vida anterior fica mais
marcada e se manifesta com mais facilidade O budismo tibetano fala
claramente de renascimento, o atual 14 dalai lama é reconhecido como o mesmo
13 dalai lama... há vários relatos de ‘tulkus’ – seres de consciência
elevada que escolhem seu próximo renascimento e muitas vezes são
reconhecidos por seus discípulos antigos que ainda vivem. É comum ouvir
historias de um grande mestre do budismo que estava bastante idoso e tinha
uma discípulo razoavelmente mais jovem que ele. Esse mestre morre e renasce
próximo aquele discípulo, se torna discípulo de seu discípulo, ate ficar
mais velho e ultrapassá-lo. E assim tenta recuperar aquilo que foi na vida
anterior e seguir em frente.
No filme KUNDUM (sobre a vida do atual dalai lama, do Martin scorcese) é
retratado o processo de reconhecimento de um renascimento. Um lama morre e
as vezes ele tem consciência de onde vai renascer e fala a região... seus
discípulos esperam alguns anos e depois procuram naquela região crianças que
nasceram apos a morte dele. Em alguns casos ocorreu de os lamas estarem
andando pela vila e um menino de 4 anos estar brincando, ver eles e correr
em direção a eles e chamar um deles pelo nome e abraçá-lo.
Em outros casos o menino não reconhece de imediato, os lamas pegam vários
objetos semelhantes, (como os sinos budistas) e colocam alguns bem bonitos e
no meio colocam aquele que pertenceu ao falecido. Depois de vários testes e
a criança reconhecendo o certo (ela pega o objeto do falecido e fala 'é meu'
as vezes, como o filme retrata) e de analise das tendências daquela criança,
eles começam um processo de identificação de um tulku (um lama reconhecido)
Podemos ilustrar o renascimento budista com um símile, é como se a chama de
uma vela fosse empregada para acender uma outra vela e nesse processo a
primeira vela fosse apagada. A chama da segunda vela surgiu na dependência
da primeira vela, ou seja, tem uma conexão com ela, mas a chama da segunda
vela não é idêntica à primeira. Então, as duas chamas possuem uma ligação
mas não são idênticas. |
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16 - budismo prega a
metempsicose?
Esse é um tema muito complicado para os próprios budistas. Algumas escolas
tradicionais acreditam sim ser possível renascer como animais. Mas há
mestres do budismo que dizem que isso não é possível.
antigamente o uso de fabulas era muito comum para ensinar a população. Por
exemplo, conta-se sobre um homem mau que maltratava seu bode e depois o
matou para comer, então esse homem renasceu como bode para sentir na pele o
que fez.
Entendo isso como um ensinamento de 'moral da historia' não como algo que
deva ser entendido literalmente.
recentemente fizeram uma enquête sobre essa questão na comunidade budista e
60 pessoas responderam ate agora. 37% acredita ser possível renascer como
animal. 33% acredita ser impossível e o restante respondeu 'não sabe' ou
'talvez'
eu pessoalmente acredito que é algo impossível.
No budismo há um ensinamento que diz que há vários reinos de existência. São
seis reinos, mas todos esses seis são reinos de certa forma inferiores, pois
ainda estão presos ao samsara (ao renascimento compulsório decorrente de
nossa ignorância)
Os 6 reinos da existência são: o reino dos deuses, semi-deuses, humanos,
animais, fantasmas famintos e os infernos.
Os deuses sofrem por saber que
seu mérito terminará um dia e voltarão a ter vidas de sofrimento. Um
nascimento é ocasionado no reino dos deuses através da prática de ações
meritórias. Porém, como podemos ver, a simples pratica do bem não liberta do
samsara, se o ser que a pratica não tiver despertado a sabedoria (prajna)
que compreende a real realidade do eu e dos fenômenos. Assim, não é 'fazer o
bem pelo bem', mas ainda há um 'EU' que pratica alguma coisa, dessa forma, o
ser não se liberta pela simples prática de ações meritórias pois essas ações
ainda estão conectadas a um equivoco de cognição que percebe um eu que
pratica alguma coisa e por isso deseja ser recompensado.
Contudo, a pratica de ações meritórias leva a nascimentos repletos de mais
oportunidades de encontrar o dharma, e mais chances de se libertar do
sofrimento.
O Sofrimento dos semideuses é inveja dos deuses e serem feridos por estes,
pois os atacam
O reino humano é o reino equilibrado, onde se pode crescer e aprender,
sofrer e regozijar-se.
Animais – sofrem por serem usados para os propósitos dos outros e por não
poderem falar
Fantasmas famintos – em constante busca por comida e bebida, nunca se saciam
Infernos quentes e frios – esgotam karma negativo
Devemos ter muito cuidado ao apresentar os 6 reinos. Enquanto alguns
budistas crêem que de fato nascemos em infernos, nascemos como animais ou
deuses etc. Outros textos apontam para uma interpretação mais simbólica
desse ensinamento, em que esses reinos não representam lugares, mas
condições de nascimento, estados de consciência contaminados por este ou por
aquele sofrimento.
Kamalashila foi um grande
mestre do budismo mahayana indiano no século 8, ele foi, posteriormente, ao
Tibet e participou do principio do budismo tibetano, e traduziu textos
sânscrito para a língua tibetana. Ele é autor da obra Bhavanakrama, cujo
segundo capitulo é comentado pelo dalai lama no livro 'os estágios da
meditação"
Kamalashila diz que os sofrimento dos seis reinos da existência devem ser
vistos não como ocorrendo apenas naqueles tipos de renascimento, mas também
nas vidas humanas. “Humanos também experimentam os sofrimentos dos seres dos
infernos e dos demais. Aqueles que aqui são afligidos por terem seus membros
arrancados, serem enforcados etc. sofrem como seres dos infernos. Aqueles
que são pobres e excluídos e sentem dor por causa da fome e sede sofrem como
fantasmas famintos. Aqueles em servidão e situação semelhantes, cujos corpos
são controlados por outros e são oprimidos e espancados, presos... sofrem
como animais"
Assim, podemos considerar que alguém que nasce numa condição de sofrimento
no Alaska pode estar vivenciando um dos infernos, alguém que nasce em um
pais em guerra e tem seus membros mutilados por minas terrestres, perde sua
família etc.esta em um inferno quente (os textos descrevem mutilações e
torturas nesse inferno). Alguém que nasce na Somália e passa fome e sede
pode estar no reino dos fantasmas famintos. Ou talvez ate mesmo alguém que
não passa exatamente fome e sede, mas nasce com uma condição de eterna
insaciedade, insatisfação, que compra compra , adquire, mas nunca se
satisfaz, pode ser um fantasma faminto.
pessoas que vivem como escravas, que são presas, que são subjugadas a
vontade de outros, apanham etc... podem estar em condições do reino animal,
pois vivem como animais
pessoas que nascem em condições de luxo, riqueza, que vivem só do bom e do
melhor e passam a vida a deleitar-se, podem estar no reino dos deuses
uma vida equilibrada entre coisas boas e ruins, possibilidades etc., pode
ser uma vida de fato no reino humano.
Assim como Kamalashila
outros mestres do budismo tendem à uma interpretação SIMBÓLICA desse
renascer como animal.Como se fosse um 'estado de consciência animalesco', e
não um animal em si.
No budismo também se fala de graus de consciência, um animal é considerado
mais elevado que uma planta. E a vida humana é louvada como a mais difícil
de se alcançar e a mais valiosa. Então creio não fazer sentido renascer como
animal
mas enfim, é uma questão polemica mesmo para os budistas e há muita
controvérsia e discordância.
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106.3 -
No Budismo devemos
distinguir duas escolas principais:
Hinnaiana (Budismo do Sul) e
Mahaiana (Budismo do
Norte), fusão do budismo do sul, com influência da religião Bom e do
tantrismo hindu.
Hinnahiana (o Pequeno Sendeiro) - Não
tem chefe, não adota o tantrismo, não adora
os Diana-Budas nem o Buda primordial e tem
uma crença limitada em devas e demônios. O único Bodisatva, em seus templos, é o
Maitréia.
Ensina a yoga, pouco praticada.
Mahaianna (o Grande
Sendeiro) -
Apresenta hierarquia sacerdotal organizada, sendo o Dalai Lama o chefe temporal e o
Tashi-
Lama o chefe espiritual. Um ritual bem definido, doutrina extensa das
manifestações divinas, crença num Buda Primordial, insistência quanto
à yoga, sua
filosofia e espiritualidade requintadas aproximam-se da Igreja Católica
atual.
Os Grandes Lamas
usam em suas jornadas ou quando executam alguma cerimônia fora do
templo, a cruz, a mitra, a dalmática e o pluvial; o serviço com coro a
duas vozes; a salmódia, os exorcismos; o
incensório, suspenso em cinco cadeias; as bênçãos, dadas pelos lamas,
estendendo a mão direita sobre a cabeça dos fiéis; o rosário, o celibato
eclesiástico, o retiro espiritual, a veneração dos santos, as
procissões, as litanias e água benta. Parece
o Catolicismo.
Para todos os
budistas a pessoa não existe. Na origem se localiza uma potencialidade
inconsciente (avidya) e na nebulosidade
desta vida indefinida, as tendências à formação, à organização (Samskharas)
produzem agregados informes. Desses materiais nascem os organismos
dotados de sensibilidade, irritabilidade (vijñana).
Estes desenvolvem a consciência individual da unidade daquilo que não é
este “Eu” e faz viver o organismo enquanto personalidade. (nama-rupa).
Sustenta o budismo
que o espírito, enquanto realidade última, não se trata de nenhuma
consciência individualizada, mas de todas, em geral evidenciando assim
que falar em “imortalidade pessoal” é apenas sustentar diferenciação,
neste caso de “personas”, numa escala mais
refinada.
No Bardo-Thödol, faz-se distinção entre
“consciência”, que se refere à intelecção pura e supra terrestre e a inteligência que é apenas a intelecção do
fenomênico. “Cognoscente” é o agente da
consciência.
Buda nunca tentou
esclarecer se Deus existe. Já o budismo Mahaianna
aceita o Buda Primordial.
Ao desencarnar, os
budistas entram na “correnteza da vida”, isto é, no Bardo (estado
intermediário), onde permanece apenas o Cognoscente
com um corpo muito sutil, o qual ao fim de algum tempo, após passar
inúmeras provas, geralmente após 49 dias, reencarna, de acordo com seu
carma, em um desses domínios: inferno,
fantasmas famintos, animais, humano, semi-deuses
e deuses. Essas são as reencarnações comuns.
O budismo prega que
o conceito de um “eu” ou “ego sólido” ou permanente não existe de fato,
pelo contrário, é uma idéia que superpomos a nossas experiências que são
basicamente descontínuas e transitórias. Por mais que possamos tentar
negar a verdade (que não existe o Eu) e por mais que procuremos insistir
no que não é verdade (que existe um Eu) jamais vamos conseguir isso.
O corpo do Bardo
(astral) é da mesma substância materializada nas sessões espíritas ou de
necromancia. (corpo astral da
Teosofia).
Ao desencarnar a
pessoa pode permanecer com o corpo astral, às vezes por períodos
prolongados, habitando o Bardo. Todos os que aí permanecem (espíritos,
pretas, demônios, seres humanos defuntos), se habituam e retardam sua
evolução normal. Quando um espírito é invocado, como em muitas sessões
espíritas, pelo contato com o mundo e a crença tradicional anímica
prevalente quanto à vida de além túmulo, o espírito crê possível um
progresso no Bardo, e não faz nenhum esforço para sair dele. O espírito
assim evocado descreve o Bardo (que é antes de tudo, um reino de ilusão)
no qual se encontra de modo mais ou menos conforme ao que supunha que
deveria ser o pós morte, quando tinha um
corpo de carne. Assim como muitas vezes em sonhos as experiências da
vigília, o habitante do Bardo repete em alucinações cármicas o conteúdo de sua consciência do mundo humano. É muito
raro que um espírito invocado tenha alguma filosofia racional para
oferecer quanto ao lugar em que se encontra. Acabar-se-á recaindo num
gérmen, acabando o carma que o impulsionou
ao estado de Bardo.
Em geral o
renascimento nos seis domínios ocorre como resultado da força cega do
carma e tem como saldo uma compulsão
incontrolável de readquirir o território do ego. No entanto algumas
pessoas chegaram a um estado de percepção adiantado utilizando práticas
espirituais. A evolução da compaixão conduz naturalmente a uma aspiração
de ajudar os seres sencientes. Encurralados
no ciclo de nascimento e morte. Os seguidores do budismo
Mahaianna procedem de acordo com essa
aspiração fazendo o voto de bodbisattva, que
consiste em continuar renascendo no samsara
até todos os seres sencientes atingirem a
iluminação. Entre os bodbisattvas mais
esclarecidos esse voto leva ao renascimento continuado nos seis domínios
até muito tempo depois de cessar a compulsão de renascer. O Buda
Sakyamuni antes da iluminação, estava nesse
nível de boodbisattva. Aí se tornou Buda.
Segundo a escola Mahaianna existem muitos
deles, alguns budistas outros não, renascendo sempre, muitos deles
reconhecidos e identificados. Na Índia, por exemplo, os grandes santos
tântricos (Siddhas)
são reencarnações desse tipo. Na tradição tibetana muitos são os assim
renascidos inclusive o Dalai Lama.
Aplicada aos mestres
tibetanos a palavra tulku (ser físico
completamente realizado), não precisa ser tomada ao pé-da-letra. Para começar, por mais elevado que seja o
esclarecimento dos tulkus, eles são
considerados bodbsattvas ainda estão
percorrendo o caminho que leva a iluminação completa e plena dos
budas. Além disso, a tradição tibetana
reconhece vários níveis de tulkus.
Entende-se que só poucos da categoria mais elevada de todas são
iluminados, mas mesmo para eles a iluminação cósmica dos
budas ainda não está ao alcance.
Bibliografia:
1-Miranda,
Caio - A libertação pelo Yoga -
Livraria Freitas Bastos S.A. 3º ED. - 1963.
2-Yogue
Ramacharaca - A vida depois da morte -
Editora Pensamento –1991.
3 – A
sabedoria dos Vedas – Chatterji,
Jagadish Chandra
– Ed. Pensamento - 1973.
4 – O
Bagavavad- Gìtã-
Como Ele ë- Sua Divina Graça ªC. Bhaktivedanta
Swami
Prabhupãda-
Fundação Bhaktivedanta -
1986
5-
Lama Samdup, Kazi
Dawa - O livro dos mortos Tibetano (Bardo
Thödol) -
Hemus- 1983.
6-
David- Neel, Alexandra- O Budismo de Buda-
Ibrasa- 1977.
7-
Bercholz, Samuel, Kohn,
Sherab Chödzin –
O Pequeno Bbuda- Editora Siciliano- 1993. |
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Autor do texto Alex
Alprim – Sexto sentido 8
“Não praticamos para nos tornar Buda, mas porque somos Buda.” Com esse
pensamento, o zen budismo tornou-se uma das religiões mais conhecidas da
atualidade, estendendo-se à Europa e América, e trazendo para o ocidente uma
nova maneira de ver o mundo. Conheça um pouco mais sobre o zen nesta
entrevista com a Monja Coen Murayama, presidente do Conselho
Superior do Templo Busshinji, em São Paulo.
Uma
das mais antigas práticas religiosas do planeta, o budismo, e por extensão o
zen budismo, chegou ao Brasil através dos imigrantes japoneses, que
começaram a desembarcar no Brasl em 1808, e hoje deve abranger cerca de um
por cento da população do país. O zen está dividido em três escolas
fundamentais: Soto Shu, Rinzai e Obaku — divisão ocorrida na China e que
acabou se estendendo até o Japão. "Nossa tradição zen budista vem do Japão",
explica Coen Murayama, que segue a escola Soto Shu, também chamada Soto Zen.
"Assim, nossa sede fica no Japão, onde existem dois templos-sede, além de
uma central administrativa em Tóquio, um templo em Sojiji, Yokohama, e um
templo chamado Eihiji, em Fukuy. Também existe o zen budismo chinês, com
sede em Taiwan. No Brasil, no momento, acho que existe o coreano também. Mas
não há uma centralização. Por exemplo, a escola Rinzai possui vários
mosteiros espalhados, na sua maioria em Kyoto, e cada um é independente.
Nossa escola tem uma hierarquia muito forte, bem tradicional e piramidal,
mas não existe algo semelhante a um papado, um Vaticano."
No Japão de hoje, mais de noventa por cento da população é budista e uma
grande parcela segue a linha zen. O fator que mais favoreceu a disseminação
desse ramo budista foi que, em determinada época, virou costume as pessoas
solicitarem aos monges a condução do enterro de seus entes queridos. Isso
não só ampliava o contato entre a população e os religiosos como também
conduzia à prática zen. Hoje em dia, o que tem acontecido é uma expansão
muito acentuada do zen budismo no ocidente, especialmente EUA e Europa. "Já
se fala de zen norte-americano e europeu", diz Murayama. "São realidades e
não algo que foi importado do Japão. Já existe um grupo chamado zen budista
norte-americano que está em sua quarta geração. Também a Itália e a Alemanha
têm grupos fortes".
Revisão Crítica
Ao
contrário do que muitos possam pensar, zen budismo é uma religião, não
filosofia. "Algumas pessoas interpretam ou desejam ver apenas o aspecto
filosófico, que todas as religiões possuem", diz a monja Murayama,
"mas nós temos ritos, crenças e fé. A fé é importante. Algum tempo atrás, o
Papa lançou um livro onde falava das várias religiões do mundo, e nós
notamos que ele estava muito mal assessorado, porque disse que o budismo não
requeria fé. Isso, na Ásia, é uma ofensa muito grande, pois existem inúmeros
grupos religiosos baseados apenas na fé. Vários deles acreditam que, só de
pronunciar o nome de Buda, a pessoa já entra na Terra Pura".
Os textos sagrados dessa religião são o vinaya, que seriam códigos
monásticos; os sutras, que são os ensinamentos de Buda, o que ele teria
dito; e a Abhidharma, os comentários dos sutras. Todos esses textos estão
passando por um processo de revisão para evitar certos erros históricos.
Como ocorreu com os evangelhos da Bíblia cristã, eles foram escritos após a
morte do Buda, por pessoas que poderiam ter interesses diferentes e ligadas
a diversos grupos culturais.
"Hoje em dia existe o que chamamos de budismo crítico", diz Coen
Murayama. "Buda usava um dialeto e uma linguagem muito simples, para que
todos pudessem entendê-lo. Mas, quem escreveu os textos após sua morte? Como
e por que fez isso? Nós sabemos que essas pessoas podem ter alterado um
pouco o que o Iluminado falou. Por essa razão, embora tenhamos grande
respeito pelos sutras, hoje percebemos por que foram escritos daquela forma,
quem escreveu, com que intuito e à qual grupo pertencia. Existem muitas
discriminações nos textos clássicos, e essa foi uma das razões para se ter
iniciado esse processo de estudar novamente, reler e descobrir de onde vem a
discriminação".
O processo crítico deve ter se iniciado há cerca de 20 anos, quando um
monge japonês foi à Universidade de Princeton, EUA, para uma palestra.
Lá, perguntaram-lhe se havia discriminação no Japão e ele respondeu com
uma negativa. Alguém na assembléia disse que não era verdade, o que deu
início a um incidente internacional, quando a notícia chegou ao Japão e os
grupos discriminados se sentiram ofendidos.
Vários estudos foram iniciados para se tentar descobrir como o budismo
estaria envolvido nas discriminações, e a investigação acabou chegando às
origens do sistema de castas na Índia. Apesar de Buda sempre ter dito que
todos são iguais, irmãos, nos escritos de membros das classes mais elevadas
existem referências a humanos e não-humanos, que eram justamente os
desprovidos de casta. "Não é o caso de se jogar os textos fora", diz
Murayama, "mas de estudá-los levando em conta o momento histórico em que
surgiram. A partir disso, é ver como eles se aplicam na realidade atual para
criar um mundo sem discriminação e violência dentro da essência budista".
Encontrar a Resposta
Assim como ocorre em
outras religiões, também faz parte da vida monástica zen dar aconselhamento
espiritual aos que procuram os templos e monges. "Às vezes, a própria pessoa
que busca auxílio não sabe explicar muito bem qual é o problema ou qual é
sua dúvida", explica a religiosa. "A idéia do zen não é responder questões,
mas fazer com que a pessoa perceba qual é seu questionamento e consiga, ela
mesma, encontrar a resposta".
Esse aconselhamento não se restringe aos budistas, mas é aberto a
pessoas de qualquer religião que procure os templos. Coen afirma que o zen
budismo vem tendo muitos encontros inter-religiosos, nos quais pessoas de
diversas crenças chegam para conhecer o santuário e acabam se aconselhando.
"Em Nova York", ela conta, "existe um padre católico que se tornou professor
zen e usa as técnicas de budistas em sua prática cristã. Ele diz que o
zen enriqueceu muitíssimo sua percepção. Portanto, o zen é uma disciplina
que pode ser utilizada por outras religiões".
O sustento financeiro dos templos zen no Japão também tem origem
histórica. Na época em que expulsaram o cristianismo do país de forma um
tanto violenta, foi realizada uma espécie de inspeção em todas as casas para
constatar que nenhum cristão havia permanecido. As pessoas foram obrigadas a
se registrar como budistas em algum templo. Na época, ser cristão
significava pertencer a um grupo politicamente contrário ao poder
absolutista que dominava e que não desejava qualquer tipo de oposição.
"Hoje, ocorre com
freqüência de uma pessoa dizer que é soto zen simplesmente porque seu pai,
avô e bisavô também eram. Tornou-se uma coisa de família, de tradição, mas
muitas vezes a pessoa o indivíduo nem sabe o que é isso, do que se trata. Os
templos são mantidos por essas famílias, com doações anuais, e também com
serviços prestados à comunidade. No Brasil, é mantido pela comunidade
japonesa. O espaço que temos aqui em São Paulo foi comprado e doado pelos
primeiros imigrantes".
História
Há 2600 anos,
quando Shakyamuni Buda fundou o budismo, ele já praticava zen — uma palavra
indiana que significa estado de meditação profunda. Foi a meditação profunda
que tornou o jovem chamado Sidharta Gautama no mais conhecido dos Budas — ou
seja, um ser desperto, iluminado. Ele praticou zen durante uma semana, o que
se chama de rohatsu seshin e, na manhã do último dia, quando olhou a estrela
da manhã percebeu que tudo na criação está interconectado.
"Por isso, quando
Sidharta diz, 'Eu e todos os seres, simultaneamente, percebemos que somos o
caminho', ele não estava dizendo que era o caminho", explica Coen Murayama.
"Nenhum ser sozinho é o caminho. Isso é o que chamamos de iluminação, quando
a pessoa sai de seu ego, de seu 'eu'. A partir de então, Gautama começou a
pregar".
Bodhidharma
é considerado o fundador do zen, o patriarca, que surgiu na 28ª geração após
Sidharta e dirigiu-se à China para levar seus conhecimentos, apesar do país
já ser budista na época. Lá, ele teve problemas com o imperador, que não
entendeu sua mensagem, e resolveu retirar-se para o Monte Shaolin, dando
início a uma tradição relativa ao local. Diz-se, inclusive, que Bodhidharma
é o fundador das artes marciais. "Historicamente", explica a monja, "a
existência desse personagem não é comprovada, mas independente disso,
representa um movimento que existiu. Enquanto os outros monges estavam
traduzindo sutras, ele dizia, ‘Prática. Não adianta ficar falando e
repetindo as palavras de Buda se não praticarmos o que ele ensinou".
Também muito
importante para o zen é Daikan Enô, um lenhador analfabeto, com uma imensa
percepção do budismo e do zen, considerado o sexto patriarca, o sexto
ancestral. Ele deu início a uma linha de ensinamentos que, mais tarde, foi
chamada por alguns de transmissão direta e instantânea.
O fundador do zen no Japão foi Dogen (1200-1253), monge
filho de nobres, que passou cinco anos no mosteiro do Monte Riei, em Kyoto.
Dogen pretendia escrever cem capítulos explicando sua maneira de ver o zen
budismo, só que morreu antes. Ele estava revisando 12 capítulos do volume a
que chamou de Sho Bo Guen Zo. Sho quer dizer correto; Bo, lei; Guen é o
olho; e Zo é uma espécie de lugar onde se armazena as coisas.
Três gerações mais tarde apareceu outro monge chamado Keisan Jonkin,
considerado o segundo fundador. Em um momento histórico diferente, ele não
era tão purista quanto Dogen e começou a fazer uma abertura maior. Como
tinha grande capacidade de comunicação, com ele a disciplina zen se espalhou
por todo o Japão. Como a maioria dos templos criados depois de Keisan tem
ligação com esse professor, os zen budistas também o consideram fundador.
Além de propagar a religião, ele possibilitou que outras tradições japonesas
fossem incorporadas ao zen, que deixou de ser chinês ou indiano e para se
tornar japonês.
Zen Budismo e Polêmicas
Muitos têm a idéia de
que monges budistas são tradicionalistas e compartilham as mesmas opiniões
do catolicismo em vários temas. Mas isso está um pouco longe da verdade. A
seguir estão alguns preceitos do zen budismo sobre temas controversos deste
final de século, transmitidos pela monja Coen:
Castidade
- Os monges no Japão se casam há pelo menos 200 anos. Em virtude das
guerras, muitos templos eram parcialmente destruídos e acabavam revelando a
existência de mulheres e crianças em seu interior — esposas e filhos dos
monges. Irritado com isso, o imperador japonês mandou chamar os religiosos e
pediu que eles decidissem entre a castidade ou o casamento. A partir de
então, é permitido aos monges se casar, ficando a critério de cada um a
decisão.
Homossexualismo
- A opção sexual de cada ser humano é individual e pessoal. O zen budismo
não se manifesta a respeito dessas opções, deixando bem claro que não se
deve ter preconceito de qualquer espécie.
Aborto
- A análise deve ser feita caso a caso. O budismo é a favor da vida,
contudo, também deve ser analisado o carma, o processo de ação e reação.
Casamento:
No budismo, quem escreve os votos de casamento são os próprios noivos, não
cabendo ao sacerdote perguntar se eles querem ou não consumar a união. Os
noivos afirmam perante Buda seu desejo de casar, estabelecendo assim a
união. Isso não impede o divórcio, muito embora seja raro acontecer. Para o
budismo, o casamento não é uma instituição indissolúvel.
AIDS:
Sem dúvida alguma a cura virá. O que devemos evitar é o preconceito para com
os portadores do vírus.
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